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Amorim: cooperação internacional é bem-vinda, porém não pode justificar ações

Amorim afirma que cooperação internacional é bem-vinda, mas pretexto para intervenção é inaceitável; Brasil acompanhará impactos da decisão dos EUA sobre PCC e CV

Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais do presidente Lula — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo
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  • Celso Amorim afirmou que cooperação internacional é bem-vinda, mas pretexto para intervenção é inaceitável, em resposta à classificação das facções PCC e CV como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos.
  • O Itamaraty não recebeu comunicação formal dos EUA sobre a decisão, e não houve manifestação oficial do Brasil até o momento.
  • Diplomatas dizem que o plano é analisar o conteúdo da decisão e avaliar impactos práticos com base em exemplos de outros países onde os Estados Unidos adotaram medida semelhante.
  • A decisão foi anunciada dois dias após o senador Flávio Bolsonaro visitar Donald Trump na Casa Branca, pedindo a classificação das facções brasileiras como terroristas.
  • Ampliando o tema, Amorim reforçou que o Brasil continuará a usar a cooperação internacional no combate ao crime, mantendo diálogo e foco na segurança pública.

Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais do presidente Lula, afirmou que a cooperação internacional é bem-vinda, mas que qualquer pretexto para intervenção é inaceitável. A fala ocorreu após o governo dos EUA anunciar a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.

Segundo Amorim, a segurança pública é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico e o combate ao crime organizado é necessário. Ele destaca que cooperação é útil em lavagem de dinheiro e contrabando de armas, desde que não haja justificativa de intervenção.

O Itamaraty informou que ainda não houve comunicação formal dos EUA sobre a medida. Diplomatas dizem que o conteúdo da decisão será analisado para entender impactos práticos com base em casos semelhantes no passado.

A decisão norte‑americana já era monitorada pelo MRE. O anúncio ocorreu dois dias depois de Flávio Bolsonaro, pré-candidato, visitar Trump na Casa Branca e pedir a classificação das facções como terroristas.

Diplomatas brasileiros reiteram a preferência pelo diálogo e pela cooperação internacional no combate ao crime, considerando-a a via mais eficaz. O tema também é discutido em fóruns internacionais.

Antes, Amorim afirmou que classificar o crime organizado como terrorismo não ajuda a enfrentar o problema. O assessor ressaltou que a luta exige compreensão das motivações e ações coordenadas.

Em outra fala, Amorim destacou investimentos na defesa brasileira, com foco em tecnologia e modernização de equipamentos para manter a dissuasão. Observou que esse eixo não perde a prioridade.

Conforme o Departamento de Estado, o PCC e o CV são entre as maiores organizações criminosas violentas, com atuação que vai além das fronteiras do Brasil e envolve milhares de integrantes.

O anúncio americano ocorreu após encontros de Flávio Bolsonaro com Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio, que demonstrou apoio à classificação. As informações são do governo norte‑americano.

Contexto diplomático

  • Brasil mantém posição de diálogo e cooperação no combate ao crime, sem alterações nas relações com os EUA.
  • O governo brasileiro avalia impactos práticos da medida sem tomar ações imediatas até novas informações.

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