- Celso Amorim afirmou que há “pretexto para intervenção” dos EUA ao classificar o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras.
- O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que, a partir de cinco de junho, as duas organizações serão FTOs (Organizações Terroristas Estrangeiras).
- Amorim disse ao Metrópoles que cooperação internacional é bem-vinda, mas o pretexto para intervenção é inaceitável.
- Em discurso no Fórum Internacional de Segurança da Rússia, ele afirmou que classificar o crime organizado como terrorismo não ajuda no combate às organizações.
- O governo brasileiro é contra a medida, aponta riscos de intervenções americanas e de atuação militar no país, e Amorim segue agenda na Rússia.
O ex-chanceler Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais do presidente Lula, afirma que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) traz um pretexto para intervenção externa. A declaração foi divulgada nesta quinta-feira, 28 de maio, após o Departamento de Estado dos EUA tornar pública a medida, com vigência a partir de 5 de junho. Segundo Amorim, a segurança pública demanda cooperação, mas a rotulagem pode abrir precedentes inadequados.
Ele ressalta que o combate ao crime organizado é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico e que cooperação internacional é útil em áreas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. No entanto, afirma que associar crime organizado a terrorismo não ajuda a resolver a situação e que compreender motivações é essencial para a eficácia das ações.
O governo brasileiro é contrário à classificação, segundo o corpo diplomático. A avaliação é de que a medida pode abrir brechas para intervenções americanas em território nacional, inclusive com potencial de ação militar. Amorim tem atuado como principal condutor da política externa do presidente Lula e, neste momento, cumpre agenda na Rússia.
Durante discurso no Fórum Internacional de Segurança da Rússia, o ex-embaixador afirmou que a medida não contribui para o enfrentamento das organizações citadas. Ele enfatizou que a compreensão das motivações é essencial para combater todos os tipos de crime, não apenas o terrorismo.
Contexto diplomático brasileiro
Amorim indicou que o governo atua de forma decisiva para desmantelar redes criminosas, mas anotou os riscos de um cenário de unilateralismo. A posição brasileira envolve avaliação de impactos legais e de soberania, bem como a necessidade de cooperação internacional sem perder o controle sobre questões estratégicas.
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