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Casos de racismo no Brasil revelam falsa autoimagem europeia da Argentina

Casos de racismo de argentinos no Brasil expõem racismo estrutural e a autoimagem europeia da Argentina, suscitando debate sobre minorias e identidade nacional

A turista argentina identificada como Agostina Paez, de 29 anos: acusada de racismo, foi presa com tornozeleira eletrônica no Brasil por dois meses e meio (Redes sociais/Reprodução)
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  • No fim de semana, Eduardo Ignacio, de 63 anos, foi preso em Minas Gerais por fotografar uma criança negra no trem e enviar as imagens com a frase racista: “eu poderia levá-lo como escravo”.
  • Em abril, José Luis Haile, de 67 anos, foi detido no Rio de Janeiro por injúria racial contra um entregador de comida e aguarda julgamento.
  • Em janeiro, Agostina Páez, de 29, foi presa em Ipanema por imitar macaco para um garçom; ficou dois meses e meio sob custódia e foi libertada depois.
  • O Guardian afirmou que os casos expõem a autoimagem europeia da Argentina, citando o artigo 25 da Constituição, que prevê promover imigração europeia.
  • Ativistas e o cientista político Federico Pita dizem que o racismo está enraizado na nação; a Argentina votou, em março, contra uma resolução da ONU que classificava o tráfico de africanos escravizados como crime contra a humanidade.

Uma série de casos racistas envolvendo argentinos no Brasil ganhou destaque neste ano, com episódios recentes em Minas Gerais e Rio de Janeiro. No domingo, 24, Eduardo Ignacio, de 63 anos, foi preso em flagrante ao filmar uma criança no trem e enviar as imagens a um contato, dizendo que poderia levá-la como escrava porque a criança era negra e bonita. A atitude gerou condenação e foi encaminhada às autoridades.

Em abril, José Luis Haile, de 67 anos, foi detido por injúria racial contra um entregador em um supermercado no Rio de Janeiro e aguarda julgamento. Em janeiro, Agostina Páez, de 29 anos, foi presa em Ipanema após ser filmada simulando um macaco para um garçom; ficou dois meses e meio sob custódia policial, depois liberada. Ela alegou perseguição nas redes.

Análise e contexto

O The Guardian publicou que os casos revelam uma autoimagem europeia na Argentina sob escrutínio renovado. O cientista político afro-argentino Federico Pita afirmou que o racismo já faz parte da identidade nacional, citando a Constituição e um histórico de minorias não reconhecidas. Segundo ele, o país tende a negar afro-descendentes e povos indígenas.

Pita aponta que, segundo dados do censo de 2022, afro-argentinos representam cerca de 1% e povos indígenas, 3% da população, números que ativistas consideram subestimados pela dificuldade de identificação. Ele afirma que descendentes de povos originários na fronteira costumam ser vistos como de outros países, reforçando a noção de uma “brancura” que se relaciona com a identidade nacional.

Histórico de relações e respostas

Em março, a Argentina votou contra uma resolução da ONU que classificava o tráfico de africanos escravizados como crime contra a humanidade, posição acompanhada apenas pelo Estados Unidos e Israel entre os países presentes na votação. O Guardian relembra episódios históricos de racismo entre argentinos e brasileiros, incluindo casos de 1920 envolvendo a seleção brasileira.

Casos recentes ganham evidência pública em parte pela atuação das redes sociais, que ampliam o alcance de incidentes isolados. Autoridades brasileiras investigam os casos, enquanto organizações de direitos humanos monitoram o tema e cobram responsabilização.

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