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Chefe da OMS viaja à RDC enquanto surto de ebola pressiona resposta global

Chefe da OMS viaja à RDC enquanto surto de Ebola da cepa Bundibugyo avança, com resposta atrasada e restrições aéreas dificultando a entrega de ajuda

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), durante uma sessão de painel no segundo dia do Fórum Econômico Mundial (FEM) em Davos, Suíça, na quarta-feira, 17 de janeiro de 2024
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  • O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, viajou para a República Democrática do Congo para acompanhar o surto de ebola da cepa Bundibugyo, o terceiro maior já registrado, que não tem vacina nem tratamento.
  • A resposta internacional segue atrasada e a OMS declarou emergência de saúde pública de interesse internacional; há mil setenta e sete casos suspeitos, cento e vinte e um confirmados, e duzentas e quarenta e seis mortes suspeitas, com dezessete mortes confirmadas.
  • A OMS ampliará os testes no país em parceria com a organização médica nacional; a Monusco informou envio de quase cinco toneladas de suprimentos médicos para Ituri.
  • Restrições de voos dificultam operações em Bunia; os Estados Unidos proibiram a entrada de residentes com certas ligações à RDC, Uganda ou Sudão do Sul nos últimos 21 dias, e o governo avalia se o Quênia sediará uma instalação de quarentena.
  • O leste da RDC permanece instável, com conflitos envolvendo grupos armados que complicam a resposta, e o ministro pediu cessar-fogo para reduzir deslocamentos e evitar a propagação em campos de refugiados.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, viajou nesta quinta-feira para a República Democrática do Congo (RDC) diante do surto de ebola da cepa Bundibugyo, o terceiro maior já registrado. A deslocação ocorre em meio à expansão da doença na RDC, com foco na capital Kinshasa e, posteriormente, na região de Ituri, no nordeste do país. A OMS considera a situação de emergência global de saúde pública de interesse internacional.

Autoridades da RDC e de vizinhos reforçam esforços para identificar e isolar casos potenciais, visando conter a transmissão. O surto registra 1.077 casos suspeitos e 121 confirmados; 246 mortes são suspeitas e 17, confirmadas. Especialistas avisam que o quadro real pode ser maior.

Tedros planeja chegar a Kinshasa ainda hoje e seguir para Ituri, onde os primeiros casos surgiram e o vírus circula há semanas. Paralelamente, a OMS amplia a capacidade de testes no país com apoio de pesquisadores nacionais. A resposta enfrenta escassez de suprimentos e ataques a instalações de saúde.

Ampliação dos testes

A OMS informou que ampliar os testes acontece em parceria com a organização de pesquisa médica congolesa. Em Ituri, a vígia cartografia de contatos e isolamento de casos é prioridade para reduzir a transmissão.

A Monusco, missão de paz da ONU na RDC, informou envio de quase cinco toneladas de carga médica para Ituri nesta quinta-feira. A operação segue como parte da logística de suprimentos para a resposta.

Entretanto, autoridades humanitárias destacam dificuldades logísticas. Restrições de voos para Bunia dificultam entrada de equipes, e o Ministério dos Transportes não autorizou procedimentos esperados para exceções a trabalhadores.

Medidas de contenção adotadas por países vizinhos incluem restrições de viagem. Os Estados Unidos proibiram entrada de residentes permanentes que estiveram na RDC, Uganda ou Sudão do Sul nos 21 dias anteriores. A expectativa é de que o Quênia possa sediar uma instalação de quarentena para expatriados expostos, mas não há confirmação.

O leste da RDC continua sob pressão de grupos armados, o que complica a atuação de equipes de saúde nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, áreas sob influência de milícias. Tedros pediu cessar-fogo para facilitar o controle da doença, evitando deslocamentos forçados e aglomerações em campos de refugiados.

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