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Colômbia enfrenta danos por envenenamento que afetam o país

Estudo aponta contaminação de água com cocaína em várias cidades da Colômbia, revelando exposição contínua e riscos à saúde pública e ao meio ambiente

Laboratório de processamento de folhas de coca no Vale de Guamuez, na Colômbia. (Foto: Carlos Ortega/EFE)
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  • O estudo Contaminação Invisível, feito com amostras de água de doze cidades colombianas, encontrou traços de cocaína e de solventes (acetona, metanol, amônia) no água após tratamento em várias regiões, incluindo Bogotá, Cali, Cartagena, Popayán e Quibdó.
  • A pesquisa aponta que a contaminação é resultado da cadeia de produção e do narcotráfico, representando exposição involuntária e contínua de pessoas que não escolheram participar do problema.
  • Dados do relatório indicam que a produção potencial colombiana chegou a 2.664 toneladas métricas em 2023; estima-se que cada quilo de cocaína gere cerca de 320 litros de rejeitos químicos, com gasolina sozinha correspondendo a quase 284 litros por quilo produzido.
  • Estudos oficiais já mostraram pressão sobre a qualidade da água causada pelos cultivos ilícitos e pela transformação da coca, com estimativas de uso de substâncias químicas relevantes para o tratamento de água.
  • Além da Colômbia, há ocorrências de cocaína e seus metabólitos em rios, igarapés e praias no Brasil e em outros países, evidenciando que o narcotráfico contamina água, solo e ecossistemas; o texto também questiona a viabilidade da legalização sem abordar quem producirá, fiscalizará e descontaminará os impactos.

A Colômbia enfrenta um problema que vai além do consumo: a contaminação da água por cocaína, apontada em estudo recente que analisa doze cidades. A pesquisa associa a droga a resíduos químicos usados na produção e aponta riscos à população, ao meio ambiente e à infraestrutura de abastecimento.

O estudo Contaminação Invisível, do Center for a Secure Free Society, revela traços de cocaína em água tratada de cidades como Bogotá, Cali, Cartagena, Popayán e Quibdó. Também detecta solventes e hidrocarbonetos em pontos de coleta ao longo do país.

A análise destaca que não se trata de uma epidemia de intoxicação aguda, mas de exposição residual e contínua. A cocaína presente na água evidencia uma cadeia de destruição que começa na produção e se estende até o consumo, afetando quem não escolheu participar.

Dados da pesquisa indicam que a produção potencial colombiana alcançou 2.664 toneladas em 2023, segundo a ONU. Estima-se que cada quilo produzido gere cerca de 320 litros de rejeitos químicos, com gasolina entre os insumos centrais.

O relatório aponta ainda que quase 756 milhões de litros de gasolina seriam mobilizados anualmente pela economia da cocaína, misturados a diversos químicos sem tratamento. Isso ocorre em meio a impactos sobre solos, rios e ecossistemas.

Substâncias como amônia, metanol e acetona aparecem acima de valores de referência em cidades específicas, como Bogotá e Medellín. A presença desses compostos pode afetar fígado, rins e sistema nervoso, além de comprometer a distribuição de água.

Na avaliação, a ideia de “liberdade de escolha” perde força diante da realidade: muitos dependem da droga sob condições sociais e econômicas, com impactos que atingem comunidades inteiras. O tráfico, nesse cenário, é apresentado como uma rede que financia violência e corrupção.

O estudo também descreve uma rede de precursores químicos, com a maior parte produzida na China. Países como Brasil, Venezuela e Equador atuam como corredores logísticos para facilitar o fluxo desses insumos, reforçando a geografia do narcotráfico global.

A pesquisa conclui que a contaminação não é uma hipótese, mas uma pressão ambiental reconhecida pelo Estado. Crianças são apontadas como especialmente vulneráveis ao consumo da água contaminada e aos efeitos a longo prazo dos rejeitos.

> A reflexão que emerge é sobre quem produz, onde são reduzidos os controles e como manter o abastecimento seguro quando a contaminação chega aos reservatórios. O foco passa a ser a gestão pública e ambiental da atividade ilícita.

A pesquisa reforça que a droga não some após o uso: ela percorre esgotos, rios e cadeias alimentares, chegando até animais e pessoas. A mensagem é de que políticas públicas precisam considerar impactos ambientais, sociais e de saúde para impedir a disseminação dessa cadeia de danos.

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