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Decisão dos EUA sobre facções abre capítulo tenso na relação bilateral diz Cebri

Sanções financeiras dos EUA a empresas ligadas a PCC e CV podem ampliar tensões na relação Brasil e EUA e influenciar eleições, diz especialista

Palácio Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores (MRE), Brasília (DF) — Foto: Dammer Martins/MRE
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  • Os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas, abrindo a possibilidade de sanções financeiras a empresas brasileiras e estrangeiras ligadas a esses grupos.
  • A medida é vista como uma intervenção na relação bilateral com o Brasil, embora ações militares no território brasileiro sejam consideradas improváveis.
  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reiterado oposição à iniciativa, o que coloca a relação entre Brasil e EUA em um momento delicado e sem consenso interno claro.
  • A avaliação do especialista Feliciano de Sá Guimarães é de que a família Bolsonaro não teve influência direta, mas o contexto pode ter ajudado a sinalizar a região para a visita de Eduardo Bolsonaro a Donald Trump.
  • A reação brasileira deve vir mais por meio de propostas de segurança pública do Planalto do que por medidas retaliatórias aos EUA, e o anúncio é visto como uma “reedição geopolitizada” da Guerra às Drogas, com peso da agenda ideológica de Trump.

O anúncio dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas abre um capítulo perigoso na relação entre Brasil e Estados Unidos. A medida pode permitir sanções financeiras a empresas brasileiras e estrangeiras conectadas aos grupos, segundo Feliciano de Sá Guimarães, do Cebri. A hipótese de ações militares no Brasil não é prevista.

Guimarães afirma que, na prática, o governo norte-americano passa a poder impor sanções a empresas com vínculos informais aos dois grupos que atuam em território brasileiro. Ações de intervenção militar ou operações de polícia dos EUA no Brasil são consideradas improváveis pelo especialista.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se posicionou contra a iniciativa norte-americana, o que coloca as relações bilaterais em um momento delicado. Segundo Guimarães, o tema tende a exigir resposta brasileira de natureza de segurança pública, não retaliação política.

Mudança de tema diferentes dimensões

O Cebri aponta que, embora não haja evidência de cooperação direta entre a família Bolsonaro e a decisão anunciada, há indícios de que aliados próximos teriam recebido a informação com antecedência. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro teriam discutido o contexto com o presidente americano, Donald Trump, em uma visita ocorrida nesta semana.

Para o analista, o Itamaraty enfrenta limites para contestar a decisão de forma contundente, e a resposta oficial deve partir do Palácio do Planalto, possivelmente por meio de propostas de segurança pública que enfrentem o poder do PCC e do CV, sem recorrer a medidas de retaliação.

A leitura do Cebri relaciona o movimento com o que chama de expansão geopolítica da Guerra às Drogas. Nos anos 1980 e 1990, Washington atuou diretamente para reduzir o fluxo de drogas, mas com falhas. A nova versão envolve também considerações estratégicas contra a influência da China na região.

Contexto estratégico e implicações

Guimarães descreve o cenário como uma reedição com foco geopolítico, associada ao discurso do movimento MAGA. A perspectiva é de que os EUA busquem mais controle regional em meio a disputas com a ascensão de potências concorrentes. A análise aponta que o tema pode influenciar o debates eleitorais no Brasil e movimentar alianças domésticas.

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