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EUA classificam CV e PCC como terroristas após visita de Flávio Bolsonaro

EUA classificam o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, após visita de Flávio Bolsonaro, apesar da discordância brasileira

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  • Os Estados Unidos classificaram o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas, conforme divulgação do Departamento de Estado.
  • A decisão acontece após a visita do senador Flávio Bolsonaro e de outros membros do governo americano, com declarações de apoio à designação feitas por membros do gabinete, como o secretário e o senador Marco Rubio.
  • O governo brasileiro, liderado pelo presidente Lula, tentou impedir a etiquetagem, temendo interferência nas eleições; Lula afirmou que o assunto não foi tratado na conversa com Trump, mas houve encaminhamentos para cooperação entre os dois países.
  • Com a designação, fica criminalizado apoiamento, bloqueio de recursos e isolamento dessas organizações; integrantes não podem entrar nos EUA e bancos americanos devem bloquear recursos ligados aos grupos.
  • No Brasil, há divergência quanto ao uso do termo terrorismo, que, no país, é aplicado a atos motivados por xenofobia ou discriminação; debates sobre o tema vêm ocorrendo desde o ano passado.

O governo dos Estados Unidos decidiu classificar o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas. A declaração foi divulgada nesta quinta-feira, 28, pelo Departamento de Estado americano. A medida ocorre após a visita do senador Flávio Bolsonaro ao presidente Donald Trump, acompanhada de outros membros do governo americano.

A designação envolve restrições legais nos EUA, incluindo a proibição de apoio às facções, bloqueio de recursos e possível expulsão de integrantes que estejam no país. Também determina que bancos norte‑americanos congelem fundos ligados aos grupos e reportem atividades relevantes ao governo. A decisão é vista como parte de políticas de segurança regional dos EUA.

Segundo o Departamento de Defesa, a classificação ocorre para lidar com organizações consideradas perigosas pela violência e pela ameaça ao território norte‑americano, ainda que se trate de entidades estrangeiras. A coalizão entre CV e PCC é apontada como representando risco para a região.

A notícia gerou reação no Brasil. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva buscou evitar a designação, temendo impactos eleitorais e ingerência externa. Em conversa recente com Trump, o tema não foi tratado, segundo divulgou a assessoria presidencial, que mencionou apenas propostas de cooperação bilateral.

Antes do anúncio, veículos como o UOL já indicavam que o tema estava em vias de confirmação, citando lobby de filhos de Bolsonaro, incluindo Flávio. O The New York Times também informou que autoridades avaliavam a medida após esse acompanhamento político.

Ainda conforme a avaliação brasileira, o termo terrorismo no território brasileiro é entendido de modo diferente e, no país, envolve atos motivados por xenofobia, discriminação ou medo social para impor terror. A perspectiva local sustenta que, embora haja crime organizado, não se caracteriza como terrorismo sob esse enquadramento.

Entre os setores que participaram das discussões, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, de São Paulo, informou que as autoridades americanas não ofereceram espaço para que o Brasil apresentasse sua interpretação do conceito. Ele destacou que, embora haja violência dos grupos, a designação seria inadequada por não ter um objetivo político claro.

Ao longo de 2025 e 2026, parlamentares e governadores de direita no Brasil pressionaram pela classificação de CV e PCC como terroristas. Em 2025, o governo de Cláudio Castro chegou a encaminhar documento ao governo norte‑americano com esse pleito, relacionado ao contexto do Rio de Janeiro.

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