- Integrantes do governo vão se reunir nesta sexta-feira, 29, para avaliar reação à classificação das facções PCC e CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
- A designação ocorreu sem concordância do governo brasileiro, após meses de negociações e objeção pública do Brasil.
- Governança teme impacto político devido à visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca, que teria ganhado impulso com a viagem.
- O encontro vai decidir se o presidente reagirá diretamente ou se o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) comandará a resposta pública; Celso Amorim já se manifestou contra intervenção.
- Também há preocupação com efeitos econômicos, com atenção a possíveis sanções e ao impacto no setor financeiro, em comparação a casos vistos em outros países.
O governo Lula vai realizar uma reunião nesta sexta-feira, 29, para avaliar uma resposta à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções PCC e CV como organizações terroristas. A medida foi anunciada pelo governo norte-americano sem a concordância do Brasil.
A designação dos grupos ocorreu após meses de negociações e contatos em que o Brasil manifestou objeção. A avaliação interna busca entender impactos diplomáticos, econômicos e de segurança. O tema chega em meio a tensões entre as duas nações sobre cooperação transnacional.
Integrantes do Palácio do Planalto acompanham o desdobramento com cautela e definem próximos passos dependendo de como Washington apresentar a reação. O Itamaraty e ministérios como Justiça serão consultados para delinear a resposta pública.
Celso Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, já se posicionou por meio de nota, afirmando que a ação da Casa Branca não deve servir de pretexto para intervenção no Brasil. Segurança pública e cooperação internacional são considerados prioritários, mas sem pretexto intervencionista.
O governo teme impactos econômicos, incluindo sanções que possam afetar o mercado financeiro brasileiro. Há preocupação sobre possíveis restrições a transações internacionais ligadas a lavagem de dinheiro e contrabando de armas, conforme precedentes de outras nações.
Ontem, Flávio Bolsonaro esteve em Washington para reuniões com autoridades americanas, o que alimenta a percepção de que o momento político pode ter influenciado a decisão. O senador também manteve contatos com representantes do Departamento de Estado.
Pelas autoridades brasileiras, o principal objetivo é preservar o equilíbrio entre cooperação internacional no combate ao crime organizado e autonomia soberana. O governo continuará monitorando a situação e informará sobre novos desdobramentos conforme houver confirmação de ações por parte dos EUA.
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