- O Departamento de Estado dos EUA informou que o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) serão designados como Organizações Terroristas Estrangeiras, com efecto a partir de cinco de junho de 2026.
- O anúncio foi feito um dia após Flávio Bolsonaro se reunir com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o presidente Donald Trump nos EUA.
- Flávio Bolsonaro classifica o movimento como “grande dia” e divulgou críticas a Lula, destacando o cumprimento ao pedido de designar as facções como terroristas.
- Diplomatas brasileiros afirmam que, na prática, não há indícios segundo a lei brasileira de que PCC e CV pratiquem terrorismo, o que torna a designação contestável do ponto de vista jurídico interno.
- Especialistas dizem que a medida pode abrir espaço para ações diplomáticas, econômicas e possivelmente militares dos EUA, enquanto analistas ressaltam que retaliações diretas contra o Brasil são improváveis.
O Departamento de Estado dos EUA classificará o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas estrangeiros, com efeito a partir de 5 de junho de 2026. A designação foi anunciada nesta quinta-feira 28/5 pelo secretário de Estado, Marco Rubio, após a avaliação de que as facções são entre as mais violentas do Brasil. A medida visa restringir a atuação dos grupos e cortar suas receitas ilícitas, segundo o governo americano.
O anúncio ocorreu pouco dias depois de Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, ter se encontrado com Rubio no dia anterior, em Washington, na sequência de reunião com o presidente Donald Trump. Flávio declarou ter pedido a designação dos grupos e comemorou a decisão nas redes sociais, afirmando que o Brasil não tolera o crime organizado.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que não há consenso técnico de que as facções se enquadrem como terroristas segundo a legislação brasileira. O governo brasileiro sustenta que o PCC e o CV são organizações criminosas cuja atuação é econômica, não política, o que tornaria a classificação inadequada sob a Lei Antiterrorismo brasileira.
Implicações e cenários de atuação
A designação permite que os EUA usem instrumentos jurídicos, financeiros e diplomáticos para pressionar organizações ligadas aos grupos e eventuais facilitadores no Brasil. Entre as possibilidades estão sanções a instituições financeiras e restrições a operações com empresas associadas aos grupos.
Analistas ressaltam que, na prática, ações desse tipo podem afetar cadeias de suprimento, comércio e investimentos entre Brasil e Estados Unidos, ainda que não haja intervenção militar iminente. Há, porém, o risco de uso político da medida e de impactos sobre a cooperação entre as autoridades brasileiras e norte-americanas.
A possibilidade de cooperação entre o FBI e autoridades brasileiras pode ser alterada se houver discordância formal sobre a caracterização dos grupos, algo que especialistas qualificam como improvável de ocorrer de forma abrupta, mas que poderia tensionar parcerias de segurança pública.
Posição do governo brasileiro
O governo brasileiro vem discutindo o tema há cerca de um ano. Em 2025, o então secretário nacional de Justiça afirmou que não havia fundamentação para classificar as facções como terroristas, defendendo que a atuação é criminosa, com motivações econômicas. O Congresso analisa um projeto que equipara crimes de facções a atos de terrorismo, ainda em tramitação.
Antes do anúncio, autoridades brasileiras sinalizaram cautela sobre a utilidade de equiparar crime organizado a terrorismo. Em Washington, interlocutores do Itamaraty destacaram a cooperação histórica com os EUA e ressaltaram que o tema exige avaliação jurídica e estratégica cuidadosa.
O anúncio ocorre em um momento de tensão diplomática entre Brasil e EUA, com as autoridades brasileiras buscando evitar medidas que possam complicar a relação econômica e de segurança. A novidade reflete, ainda, o peso político da atuação de Flávio Bolsonaro junto à Administração Trump.
Entre na conversa da comunidade