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Israel e Rússia entram na lista da ONU de violência sexual em conflitos

ONU inclui Israel e Rússia na lista de violência sexual em conflitos; relatório evidencia negação de acesso e casos de detidos na Palestina e na Ucrânia

Confinados a um terço do enclave desde o cessar-fogo, palestinos residentes em Gaza têm que viver em acampamentos improvisados e edifícios destruídos
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  • A ONU incluiu Israel e Rússia na lista de violência sexual em conflitos, conforme relatório anual ao qual a AFP teve acesso.
  • O secretário-geral António Guterres havia alertado sobre a possibilidade de inclusão, mas a ONG manteve os registros de incidentes na Ucrânia e nos territórios palestinos ocupados.
  • O documento registra “negação persistente de acesso” por autoridades de ambos os países, dificultando a coleta de dados.
  • Em Israel, em 2025 houve casos de violência sexual contra palestinos detidos, com padrões que vêm de anos, ainda que os dados não sejam exaustivos devido ao acesso restrito.
  • Na Rússia e em territórios ucranianos ocupados, a violência sexual foi identificada, com 310 casos relatados; a maioria envolve homens, atribuídos a forças armadas e ao serviço penitenciário.

A Runção da ONU incluiu Israel e a Rússia na lista de violência sexual associada a conflitos, conforme um relatório anual ao qual a AFP teve acesso nesta quinta-feira, 28. O documento registra casos envolvendo prisioneiros e aponta que as acusações dizem respeito a ações de militares e agentes de segurança.

O relatório aponta que, mesmo com o aviso do secretário-geral António Guterres em agosto do ano passado, as Nações Unidas continuaram a registrar incidentes no contexto da guerra na Ucrânia e dos conflitos nos territórios palestinos ocupados. Também indica dificuldade de acesso às detenções por parte das autoridades dos dois países.

Em Israel, o relatório indica que, em 2025, houve relatos de violência sexual contra palestinos detidos tanto em Israel quanto nos territórios ocupados. A ONU destaca que esses casos refletem tendências de anos anteriores, embora não haja um quadro exaustivo por conta da recusa de acesso a centros de detenção.

A ONU confirma ainda casos envolvendo prisões na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, com registros de estupro com objeto, estupros coletivos, violência contra órgãos genitais, nudez forçada e revistas corporais sem justificativa de segurança. Os perpetradores são identificados como membros das forças de segurança israelenses e do serviço penitenciário.

A reação de Israel teve destaque: o embaixador israelense na ONU afirmou que a inclusão é vergonhosa e absurda, apontando que coloca Israel e Hamas em igualdade perante a lista. O representante interrompeu relações formais com o gabinete de Guterres até o fim do mandato do secretário-geral, em 31 de dezembro.

Quanto à Rússia, o relatório registra violência sexual em territórios ucranianos ocupados e dentro da própria Rússia, praticada por forças armadas e serviços penitenciários. Depoimentos de prisioneiros de guerra, liberados, aparecem entre as evidências citadas.

Dados da missão de monitoramento de direitos humanos na Ucrânia embasam o relatório, com 310 casos de violência sexual conectados ao conflito, incluindo estupros e violência generalizada. A grande maioria das vítimas são homens, segundo o documento.

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