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Médicos denunciam falta de comida e oxigênio em hospitais durante protestos na Bolívia

Médicos denunciam falta de comida e oxigênio em hospitais durante protestos que bloqueiam estradas, elevando risco de mortes e aumentando tensão política

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  • Médicos marcharam no centro de La Paz para denunciar a grave escassez de medicamentos e alimentos, agravada pelos bloqueios de estradas que já passam de sessenta pontos no país.
  • Pacientes convivem com a falta de suprimentos, com relatos de que não há comida nem oxigênio suficientes nos hospitais.
  • A Câmara da Indústria Farmacêutica Boliviana informou que cerca de cinquenta toneladas de remédios e oxigênio destinados a hospitais não puderam ser distribuídas devido aos bloqueios.
  • O Congresso revogou norma que exigia autorização parlamentar para o presidente decretar estado de exceção, medida que permitiria usar forças armadas para conter os protests.
  • Desde o início dos protestos, quatro pessoas morreram por não receberem atendimento médico a tempo; o governo acusa Evo Morales de incentivar os protestos e os Estados Unidos acompanham a crise.

Centenas de médicos saíram em marcha ontem no centro de La Paz para denunciar a grave escassez de medicamentos e oxigênio nos hospitais, agravada pelos bloqueios de estradas que se mantêm há um mês. O protesto ocorreu em meio a denúncias de que pacientes passam por dificuldades de atendimento.

Os profissionais da saúde clamaram por ações para garantir insumos, alimentação e insumos hospitalares. Observou-se desabastecimento com relatos de racionamento de alimentos e de itens essenciais para pacientes, segundo relato de médica ouvida pela AFP.

Desde o início de maio, operários, camponeses, mineiros, transportadores e professores pressionam o governo do presidente Rodrigo Paz por medidas para conter a pior crise econômica da Bolívia nas últimas quatro décadas. Parte dos manifestantes também pede a renúncia do mandatário.

A Câmara da Indústria Farmacêutica Boliviana informou que aproximadamente 50 toneladas de remédios e de oxigênio destinados a hospitais não puderam ser distribuídas devido aos bloqueios rodoviários. A Administradora Boliviana de Carreteras aponta que os bloqueios já somam mais de 60 pontos no país.

Luis Larrea, presidente do Colégio Médico da Bolívia, pediu abertura de diálogo entre governo e manifestantes. Em tom de preocupação com possíveis medidas de exceção, ressaltou a necessidade de tratar o tema pela via constitucional para evitar riscos à vida de pessoas.

Na terça-feira, o Congresso revogou uma norma que autorizava o presidente a decretar estado de exceção sem autorização parlamentar, o que reduziria poderes de contenção por meio de forças de segurança em caso de protestos.

Desde o início dos protestos, a Defensoria do Povo aponta que quatro pessoas morreram por não terem recebido atendimento médico a tempo, em função dos bloqueios. O governo acusa setores opositores de tentar alterar a ordem democrática e de incentivar a crise.

EUA acompanharam de perto a situação. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, referiu-se a uma possível intervenção como uma postura de observação, sem detalhar ações, em meio ao debate sobre a resposta internacional à crise política e social no país.

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