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Médicos e enfermeiros morrem na linha de frente contra o vírus Ebola

Médicos e enfermeiros morrem na linha de frente da Ebola na DRC, em condições precárias e com resposta ainda fraca

People in full PPE surround a coffin next to a grave, with other graves beside them
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  • O Ebola segue matando profissionais de saúde no leste da República Democrática do Congo, com a morte do Dr. Vladimir Maduali na madrugada de domingo, o quarto caso em dias.
  • Dois dias após, o Dr. Tibenderana Katho Blaise também morreu no Bunia Evangelical Medical Centre, em Ituri.
  • Maduali, de 30 anos, formou‑se há três anos pela Universidade de Bunia e atuava na região de Rwampara; ele ficou dois dias em oxigênio no centro de isolamento.
  • A família e colegas dizem que as condições de trabalho são precárias e que outros profissionais já adoecem; três enfermeiras de seu hospital estão entre os casos fatais.
  • Além disso, mais de novecentos casos suspeitos e duzentas mortes foram reportados até 25 de maio nas províncias de Kivu e Ituri, com a Organização Mundial da Saúde destacando a necessidade de cooperação regional para conter o surto.

Dr Vladimir Maduali morreu de Ebola na madrugada de domingo, sendo o quarto profissional da mesma instituição a falecer em poucos dias. Dois dias depois, o médico Tibenderana Katho Blaise também morreu no Bunia Evangelical Medical Centre, na República Democrática do Congo (DRC). A doença já avançava em Ituri, região leste do país.

Maduali, de 30 anos, formou‑se na Universidade de Bunia há três anos e atuava na região de Rwampara, uma das áreas mais afetadas pela epidemia na província de Ituri. Ele faleceu no centro de isolamento de Rwampara, após dois dias em suporte de oxigênio, conforme a família.

Segundo o médico Richard Lokudu, diretor médico do Mongbwalu hospital, a perda de Maduali impacta também a equipe local, com outros profissionais contaminados ou mortos. Lokudu informa que cinco funcionários adicionais podem já estar infectados, com três óbitos confirmados ou suspeitos, ainda sem resultados de testes suficientes para acompanhar o ritmo da transmissão.

A direção do Mongbwalu hospital descreve as condições de atuação como precárias e angustiantes. Lokudu compara a luta contra o Ebola a uma operação militar, ressaltando o risco constante para profissionais de saúde na linha de frente.

Caso de voluntários também preocupa a organização humanitária. Três voluntários da Cruz Vermelha Congolesa que atuavam no hospital morreram nos últimos 11 dias, possivelmente após contato com pacientes falecidos durante a gestão de corpos. A Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente dá conta de que a morte ocorreu durante atividades de manejo de cadáveres, em missão humanitária.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, planeja visitar a República Democrática do Congo para acompanhar a resposta local. Até 25 de maio, o Ministério da Saúde congolês confirmou mais de 900 casos suspeitos e 220 mortes nas províncias de North e South Kivu e Ituri.

Especialistas afirmam que o surto atual é o 17º registrado na DRC desde 1976 e envolve uma nova cepa. A resposta internacional enfatiza a necessidade de coordenação entre países vizinhos para evitar disseminação regional. O statistics apontam que o atraso na identificação inicial da doença contribuiu para a escalada do contágio entre profissionais de saúde e comunidades.

Koko Buroko, analista de relações internacionais, aponta que o enfraquecimento de programas de ajuda ao desenvolvimento reduziu a resiliência de comunidades rurais diante do Ebola, destacando o papel de organizações não governamentais na assistência sanitária do país.

Jean-Jacques Tamfum Muyembe, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica e co‑descobridor do Ebola, reiterou a ausência de cura e a necessidade de medidas para proteger trabalhadores de saúde na linha de frente, em cooperação com parceiros internacionais.

Josué Maduali, irmão do médico falecido, relembra o choque da confirmação da doença e a dificuldade de lidar com o medo de morte. O jovem médico mantinha o desejo de salvar vidas desde a juventude e a família depende de apoio contínuo para enfrentar a perda.

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