- O Departamento de Estado dos EUA classificou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como “Terroristas Globais Especialmente Designados”, com designação a partir de 5 de junho.
- O CV é apontado como a maior facção do Rio de Janeiro e tem 54 anos; surgiu na Ilha Grande para enfrentar condições precárias nas prisões e initialmente recebeu o nome Falange Vermelha.
- O PCC, fundada em 31 de agosto de 1993 na Casa de Custódia de Taubaté, é a maior facção de São Paulo e do Brasil, com atuação estimada em pelo menos 28 países.
- O CV expandiu de presídios para o comércio ilícito e o tráfico de drogas, controlando boa parte da produção e do fornecimento no Rio de Janeiro.
- O PCC, além de atividades criminais internas, atua em redes de lavagem de dinheiro e em operações transnacionais, com liderança histórica de Marcola (Marcos Willians Herbas Camacho).
O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou nesta quinta-feira, 28, o Comando Vermelho e o PCC como Organizações Terroristas Globais Especialmente Designadas. A medida inclui a intenção de designá-los como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. A confirmação foi divulgada pelo governo americano.
O objetivo declarado é conter atividades criminosas associadas às duas facções, que atuam no Brasil e em outros países. As designações costumam ampliar sanções, restringir fluxos financeiros e facilitar cooperação internacional no combate ao crime.
Comando Vermelho, maior facção do Rio de Janeiro, tem 54 anos e foi criado no Instituto Penal Cândido Mendes, em Ilha Grande, durante a ditadura. Inicialmente chamado de Falange Vermelha, o grupo surgiu para enfrentar condições degradantes na prisão.
O CV teve origem a partir de William da Silva Lima, conhecido como Professor, que passou mais de 30 anos preso e atuou como interlocutor entre presos e autoridades. A facção consolidou-se com o tempo como força de atuação no tráfico e na guerra por território.
Segundo relatos históricos, o Caldeirão do Inferno, como era conhecido o complexo, foi cenário de organização de fugas e de expansão para o entorno. A partir de 1983 a 1986, o CV passou a dominar bocas de fumo no Rio e consolidou seu controle sobre o comércio de drogas.
Hoje, o CV é reconhecido como a maior facção do Rio de Janeiro e uma das mais influentes do Brasil. A organização mantém um arsenal bélico próprio, com capacidade de produção de armamentos, além de atuação em várias atividades ilícitas.
PCC, maior facção de São Paulo e presente em ao menos 28 países, surgiu em 31 de agosto de 1993, na Casa de Custódia de Taubaté, interior paulista. A origem está ligada ao contexto após o massacre do Carandiru, em 1992.
A expansão do PCC para fora das prisões começou após os primeiros anos de atuação interna. O grupo passou a atuar em crimes como tráfico de drogas, roubos, lavagem de dinheiro e fraudes, com forte presença em diversas regiões do Brasil.
O PCC tornou-se símbolo de organização criminosa conectada a redes internacionais de droga. A liderança histórica é associada a Marcola, preso em regime federal, ainda apontado como figura central pela polícia e pelo Ministério Público.
A organização também utiliza estruturas empresariais e financeiras para a lavagem de recursos ilícitos, abrindo negócios que operam com fluxos financeiros complexos. Especialistas dizem que a facção atua com uma nova face em operações criminosas.
Autoridades ressaltam que as duas facções já mantêm atuação integrada a redes internacionais de tráfico e, no caso do PCC, ligações com rotas na América do Sul. As novas designações visam ampliar a cooperação de combate ao crime transnacional.
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