- Relatório do site 38 North, com base no Projeto Antracite do Royal United Services Institute, indica infraestrutura na Coreia do Norte capaz de produzir agentes químicos, sem comprovação de fabricação em curso.
- O documento destaca instalações industriais, universidades e instituições de pesquisa governamentais com equipamentos e matérias-primas para diversos agentes, visando apresentar uma base de viabilidade e indicadores a monitorar.
- Especialistas ressaltam que o regime já demonstrou disposição para usar armas químicas, citando o ataque comVX em 2017 como confirmação de capacidade.
- A Coreia do Norte pode ter entre 2.500 e 5.000 toneladas de armas químicas em estoque, com possibilidade de uso para dificultar ações sul-coreanas ou em conflito.
- Em 2026, ocorreram oito testes de mísseis, e o líder Kim Jong-un afirmou que o status nuclear do país é irreversível, defendendo a dissuasão como essencial para a segurança.
Relatório aponta que Coreia do Norte mantém infraestrutura capaz de produzir armas químicas, ainda que não haja evidência de produção em curso. Especialistas alertam que o regime pode usá-las caso se sinta ameaçado.
O estudo, publicado no site 38 North, baseia-se em dados abertos do Projeto Antracite, conduzido pelo think tank RUSI, de Londres. A análise mapeia instalações e instituições com acesso a matérias-primas e equipamentos.
Segundo o relatório, instalações industriais, universidades e órgãos governamentais teriam capacidade de produzir diferentes agents químicos. Não há comprovação de fabricação ativa, mas há foco em viabilidade e indicadores de monitoramento.
A conclusão relevante é a convergência de indicadores que sugerem uma capacidade industrial integrada, aproximando o regime de uma força com potencial de produzir armas químicas, ainda que não esteja provada fabricação contínua.
Pouco se sabe sobre o verdadeiro alcance do programa, mas o quadro é visto como uma fonte de preocupação entre especialistas, dada a disposição histórica de Pyongyang em recorrer a armas químicas.
Em 2017, agentes nervosos teriam sido usados para assassinar Kim Jong-nam em Kuala Lumpur, o que é citado como evidência de capacidade química. A observação é de pesquisadores entrevistados pela DW.
Especialistas sugerem que a Coreia do Norte pode produzir grandes quantidades de mostarda de enxofre e, possivelmente, agentes nervosos como sarin e VX, ainda que detalhes permaneçam incompletos.
O relatório indica que o arsenal poderia ter entre 2.500 e 5.000 toneladas, o que alimenta preocupações sobre uso em cenários de conflito, incluindo a fronteira com a Coreia do Sul e ambientes civis.
Analistas ressaltam que, em caso de conflito, as armas químicas poderiam ser empregadas para dificultar avanços sul-coreanos ou atrasar operações, especialmente diante de uma eventual escalada na península.
Especialistas consultados destacam que o regime não é signatário da Convenção sobre Armas Químicas e, portanto, não segue compromissos internacionais que proíbem seu uso, o que agrava o debate sobre riscos.
Paralelamente, o governo norte-coreano continua a realizar testes de mísseis em 2026, com oito lançamentos até o momento, aumentando a tensão regional e a percepção de que a dissuasão nuclear permanece central para a estratégia do regime.
Autores do estudo afirmam que o cenário de incerteza exige monitoramento contínuo, com foco em indicadores de viabilidade industrial e na evolução de capacidades, para informar avaliações de risco.
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