Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

SAS acusadas de crimes de guerra não encaminhadas à polícia por temor à moral

Ex-chefe de Estado-Maior das Forças Especiais afirma que denúncias de crimes de guerra contra o SAS não foram encaminhadas à polícia militar por temor de atrapalhar operações e o moral

The SAS worked alongside Afghan special forces units on night raids during the height of the conflict
0:00
Carregando...
0:00
  • Um ex-chefe de estado‑maior das Forças Especiais do Reino Unido disse que as alegações de crimes de guerra contra o SAS não foram encaminhadas à polícia militar por receio de atrapalhar operações e desmotivar a tropa.
  • O relatório aponta que parte das evidências teria vindo de um regimento rival de forças especiais, influenciando a decisão.
  • A escolha deixou de alertar a Polícia Militar em missão por anos, incluindo acusações de execuções extrajudiciais e relatórios falsificados durante operações no Afeganistão entre 2010 e 2013.
  • Em 2011, o então diretor das Forças Especiais decidiu abrir uma revisão interna em vez de acionar a polícia militar, o que gerou controvérsia por violar a obrigação legal de denunciar crimes de guerra.
  • Testemunhos da apuração destacaram preocupações entre oficiais seniores em 2011 sobre condutas do SAS, incluindo relatos de civis mortos e discrepâncias entre pessoas detidas e armas encontradas.

A comissão independente que investiga operações no Afeganistão ouve que, em 2011, o então diretor da Força Especial Britânica não enviou denúncias de suspeitas de crimes de guerra à Polícia Militar, para evitar interrupções nas ações e manter a moral das tropas. A decisão levou a que alegações de execuções extrajudiciais e de relatórios falsificados não fossem encaminhadas por anos.

Segundo o depoimento, outro fator foi que parte das evidências teria chegado por meio de um regimento rival das forças especiais. A oitiva também aponta que a justiça interna foi priorizada em prol da agilidade de ações contra insurgentes em meio a um ritmo intenso de operações.

A investigação pública, conduzida pela Independent Inquiry into Child Sexual Abuse no âmbito do Afeganistão, analisa denúncias de violações entre 2010 e 2013, incluindo a suposta morte de crianças e civis pelo SAS. Os trechos apresentados são de comunicações fechadas, divulgados apenas em resumo em 2024.

O que foi decidido em 2011 contraria obrigatoriedade legal de qualquer comandante comunicar suspeitas de crime de guerra à Royal Military Police, sob pena de violações graves. A decisão gerou controvérsia entre oficiais, que destacam o dever legal de reporte.

O inquérito descreve ainda uma revisão interna, conduzida por um oficial próximo ao regimento responsável pelos actos sob escrutínio, e aprovada pelo comandante da unidade. A apuração interna levou uma semana e não constatou irregularidades criminais.

Relatos de alto escalão apontam que preocupações surgiram na primavera de 2011, quando relatos de operações em que civis foram mortos após indivíduos já detidos e algemados, e de operações com mais mortes do que armas encontradas, chegaram à sede.

Além disso, a sede recebeu uma queixa de uma organização internacional monitorando o conflito sobre supostos assassinatos extrajudiciais pelo SAS, bem como denúncias de forças especiais afegãs que teriam se recusado a lutar por ver civis mortos.

N2252, o ex-chefe de Estado-Maioro, afirmou à comissão que revelar as preocupações à Royal Military Police prejudicaria o ritmo das operações, enquanto o SAS buscava desmantelar redes de Taliban e explosivistas.

O depoimento também indica que, para não abalar a confiança dentro das Forças Especiais, a cadeia de comando poderia interpretar uma apuração externa como descrença nos relatos de tropas. Outros oficiais divergiram em relação a essas avaliações.

Um terceiro depoimento, de um oficial no Afeganistão identificado como N889, reconheceu que pode ter aceitado de forma excessiva os relatos táticos do SAS, admitindo que, com o tempo, deveria ter avaliado com mais rigor as informações recebidas.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais