- O Departamento de Estado dos Estados Unidos designou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas internacionais; a medida vale a partir de 5 de junho.
- Desde que voltou à Casa Branca, o governo de Donald Trump já havia classificado 14 grupos criminosos da América Latina como terroristas.
- A designação gerou atrito com o governo brasileiro e não contou com confirmação do Itamaraty; Lula planejava visitas a Washington e não houve posição oficial do Brasil até o momento.
- A finalidade é facilitar congelamento de ativos, investigações, troca de informações, sanções financeiras, banimento de vistos e criminalização de apoio material aos grupos.
- A designação foi discutida no contexto da reunião Escudo das Américas, que reuniu líderes da região; atos militares dos EUA contra cartéis venezuelanos e mexicanos foram mencionados como possíveis desdobramentos.
Pouco menos de uma semana após reeleição, o governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. A medida, anunciada na quinta-feira, será efetiva no dia 5 de junho.
A designação faz parte de uma lista que o governo de Washington tem ampliado desde a volta de Donald Trump à Casa Branca. Além do PCC e do CV, a carteira já incluía outros 12 grupos criminosos da região, segundo o governo americano. O Brasil protesta contra a decisão.
A decisão ocorreu sem o parecer prévio do governo brasileiro e contrasta com a relação de cooperação entre autoridades dos dois países no enfrentamento ao crime transnacional. O Itamaraty ainda não se manifestou sobre o tema.
O que muda na prática
Rubio, diplomata que lidera a ofensiva, afirmou que as facções brasileiras possuem redes de influência que vão além das fronteiras. A pasta de Estado destinou-se a bloquear ativos, ampliar investigações e facilitar sanções financeiras contra os integrantes.
As autoridades americanas ressaltaram que a designação facilita o monitoramento de membros das organizações, além de tornar mais rígidas as restrições de vistos para quem prestar apoio material ou financiar atividades criminosas.
A medida também prevê cooperação com outras nações para troca de informações de inteligência. Embora não autorize ações militares por si, historicamente a designação tem sido usada como base para operações fora dos EUA contra redes criminosas transnacionais.
Segundo o governo brasileiro, o tema pode impactar as relações diplomáticas e a cooperação regional no combate à criminalidade organizada. A recusa de confirmação oficial por parte de Brasília mantém o estado de análise sobre o episódio.
Entre os países da região, apenas Equador e El Salvador têm governos alinhados politicamente aos EUA e são citados como parceiros no combate à criminalidade organizada transnacional. Biden divide o papel com aliados na estratégia regional.
O anúncio chega em meio a debates sobre a legalidade de ações militares sem aprovação do Congresso, questionamento que também acompanha críticas internas dentro dos EUA sobre o processo de decisão.
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