- O senador Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido a Donald Trump, em visita aos EUA, que classifique o PCC e o CV como organizações terroristas.
- A discussão ocorre após Lula ter ido a Washington três semanas antes buscar evitar esse desfecho, segundo interlocutores do governo.
- Especialistas veem o PCC e o CV como criminosos por interesse econômico, não ideológico, e dizem que Trump tem questionado essa distinção.
- Mesmo sem intervenção militar, os EUA poderiam usar leis como RICO e Kingpin para pressionar financeiramente o Brasil, além de ampliar cooperação ou restringir serviços financeiros.
- Analistas avaliam que, ainda que o governo americano adotasse medidas, seria improvável uma retaliação agressiva, pois isso afetaria também relações econômicas bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou ter pedido a Donald Trump, em reunião na Casa Branca na terça-feira 27 de maio, que classifique o PCC e o CV como organizações terroristas. O pedido ocorreu durante visita aos EUA. Lula da Silva esteve em Washington três semanas antes, tentando evitar esse movimento.
Especialistas divergem sobre a classificação de facções como terrorismo. Para alguns estudiosos, PCC e CV são criminosos com objetivos econômicos, não ideológicos. Trump tem contestado essa linha, o que abriu espaço para discussão sobre sanções potenciais.
Caso aceite o pedido, o governo americano poderia usar instrumentos jurídicos, financeiros, diplomáticos e até militares para ampliar influência sobre o Brasil. O simples cenário de incerteza já pode gerar instabilidade política, segundo analistas.
Entre as opções, citam-se leis específicas como RICO e Kingpin, usadas para coibir organizações criminosas e tráfico internacional. As sanções dependeriam de investigações formais, provas e revisões judiciais, com enquadramento de segurança nacional.
A classificação como terroristas permitiria ampliar ações contra bancos e operações financeiras, além de dificultar cooperação com o Brasil em investigações transnacionais. O FBI poderia ter menos cooperação em favor de outra esfera, segundo especialistas.
Variedades de retaliação são consideradas improváveis por especialistas. Mesmo com o aval de Trump, não haveria interesse americano em prejudicar amplamente a relação econômica com o Brasil, que envolve inúmeras empresas e setores.
A avaliação geral aponta que medidas extremas tenderiam a impactar comércio e investimentos entre os dois países. O caso do México, após a classificação de cartéis como terroristas, é citado para ilustrar cenários de negociação e acomodação entre governos.
Outra comparação é feita com ações contra Venezuela e Cuba, onde interesses estratégicos e eleitorais moldam decisões. A comunidade brasileira no exterior é destacada como pouco influente politicamente nos EUA, o que pode reduzir impactos diretos sobre o Brasil.
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