- Os Estados Unidos designaram o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como entidades terroristas, alegando ameaça à segurança regional. A decisão foi vista como a maior derrota do governo Lula na relação com Washington desde o tarifaço de 2025.
- A medida encerra mais de um ano de idas e vindas entre Brasil e EUA e ocorreu pouco depois da visita de Flávio Bolsonaro a Washington, onde ele defendeu publicamente a designação.
- O governo brasileiro era contra a designação, argumentando que ela viola a soberania nacional e que distingue crime organizado de terrorismo, além de poder impactar o sistema financeiro brasileiro.
- O Departamento de Estado vinha estudando a designação há anos, com apoio de assessores enviados ao Brasil; a discussão ganhou força após o início do segundo mandato de Trump e do tarifaço em 2025.
- O Planalto planeja uma resposta para evitar desgaste interno, com reuniões entre Ministério das Relações Exteriores, Presidência e possivelmente Fazenda, buscando defender ações recentes contra o crime organizado e enfatizar cooperação internacional.
O Departamento de Estado dos EUA designou o PCC Primeiro Comando da Capital e o CV Comando Vermelho como entidades terroristas. A decisão, anunciada nesta quinta-feira, marca uma derrota para o governo Lula nas tratativas sobre a cooperação no combate ao crime organizado. A medida ocorre após mais de um ano de discussões entre os dois países.
A posição do governo brasileiro era contrária à designação, sob o argumento de que colocaria em risco a soberania nacional e poderia afetar operações de combate ao crime organizado sem produzir ganho claro no enfrentamento às facções. A avaliação é de que haveria impactos também no sistema financeiro.
Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência, vinha defendendo publicamente a medida há mais de um ano. O político participou de encontros com o presidente americano Donald Trump, o vice-presidente e o secretário de Estado nos EUA.
A BBC News Brasil apurou que a decisão surpreendeu diplomatas que acompanhavam o tema, mesmo após andar de negociações entre Brasília e Washington. Em viagem recente a Washington, Flávio manteve interlocução com autoridades americanas para justificar a adoção.
Antes da viagem, assessores do governo Lula avaliavam que anunciar a designação poderia soar como interferência externa na política brasileira. A gestão federal pretendia responder com uma posição firme de cooperação internacional no combate ao crime.
A trajetória de debate começou há anos. Em 2021, o PCC já recebera designação de sanções pelo Tesouro americano. O tema ganhou força no segundo mandato de Trump, em 2025, quando o assunto foi próximo de virar política pública.
Entre 2025 e 2026, o Departamento de Estado enviou assessores a Brasília para tratar do tema com promotores brasileiros. Em março deste ano, a imprensa revelou a iminência da adoção, o que acelerou contatos entre os governos.
Na ocasião, o chanceler Mauro Vieira coordenou conversas com autoridades americanas para evitar a decisão. O governo federal sinalizou abertura a cooperação, mantendo a defesa de mecanismos alternativos de combate ao crime organizado.
O anúncio oficial dos EUA, porém, ocorreu nesta semana, após a passagem de Flávio Bolsonaro por Washington. O senador indicou que a medida deveria ser adotada, ressaltando que o apoio norte-americano ao combate às facções poderia ocorrer a partir de 2027.
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