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Governo teme efeito em bancos após EUA classificar PCC e CV como terroristas

Brasil teme impactos econômicos e atrito com Washington após EUA classificarem PCC e CV como organizações terroristas

O presidente dos EUA, Donald Trump, acompanhado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, encontra-se com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e outras autoridades, à margem da 47ª cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Kuala Lumpur, Malásia, em 26 de outubro de 2025. REUTERS/Evelyn Hockstein
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  • Os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras, com inclusão efetiva a partir de 5 de junho.
  • O governo brasileiro rejeita o enquadramento, dizendo que as facções atuam por objetivos econômicos e de controle territorial, e não por motivações ideológicas ou políticas.
  • Há preocupação no Planalto com impactos no sistema financeiro brasileiro, devido a sanções extraterritoriais que podem atingir instituições e empresas brasileiras ligadas a grupos.
  • A cooperação internacional é vista como necessária para combate ao crime organizado, mas o Brasil afirma que intervenções externas não podem ser justificadas como pretexto.
  • A troca de informações sobre o tema começou em março, com contatos entre o ministro das Relações Exteriores e autoridades do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

O governo teme impactos indiretos nos bancos brasileiros após os Estados Unidos classificarem o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras. Planalto evita o enquadramento e avalia consequências econômicas e tensão com Washington.

Antes do anúncio formal feito pelo Departamento de Estado na quinta-feira (28), Brasília já discutia a medida com cautela. interlocutores dizem que a classificação pode ampliar frentes de preocupação além da segurança pública.

A avaliação interna é de que a medida pode afetar instituições financeiras, além de levantar questões sobre soberania, diante da atuação internacional dos EUA no combate a grupos classificados como terroristas. Celso Amorim reforçou a posição do governo.

Divergência diplomática

A resistência brasileira ao enquadramento foi comunicada aos EUA ainda antes da decisão. Em março, o ministro Mauro Vieira telefonou ao secretário de Estado Marco Rubio para tratar do tema.

Mais tarde, reuniões em Brasília com representantes do Departamento de Estado, liderados por David Gamble, foram realizadas para discutir o assunto. O argumento central é jurídico: PCC e CV não se enquadram no conceito nacional de terrorismo.

Efeitos econômicos previstos

Além da divergência conceitual, o Planalto monitora impactos no sistema financeiro. Sanções previstas pela classificação podem incluir congelamento de ativos, restrições migratórias e punições a quem prestar apoio aos grupos.

Há receio de que o alcance extraterritorial das sanções crie dificuldades para bancos e empresas brasileiras com relações comerciais envolvendo membros ou negócios vinculados às facções.

Com a decisão formal, a partir de 5 de junho PCC e CV passam a integrar oficialmente a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras dos EUA.

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