- Os EUA classificaram o PCC como organização terrorista estrangeira, com um organograma que reúne cerca de 100 nomes, incluindo o Comando Vermelho, e descreve o PCC como rede nacional com setores de finanças, comunicação, tráfico internacional e expansão regional.
- Marcola continua sendo apontado como o principal nome, mesmo preso, influenciando rotas internacionais de cocaína, reorganização interna e articulações em diversos estados.
- Grupos internos aparecem como Sintonia do Raio-X (finanças) sob Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado, e Sintonia da Internet e Redes Sociais, com Andrezinho e Destino cuidando da comunicação interna.
- Na Baixada Santista, o PCC utiliza o Porto de Santos como rota de tráfico internacional, com lideranças como Maranhão, Primo e Alemão identificadas em esquemas de lavagem de dinheiro.
- No Sul, Norte e Nordeste, há atuação em fronteiras e expansão regional: Gerson Palermo atua na prática de tráfico; no Norte há disputas por rotas fluviais; no Nordeste há acordos com grupos locais que se equilibram entre alianças e confrontos.
O PCC deixou de ser uma facção ligada apenas aos presídios de São Paulo. Relatórios da Polícia Civil de SP, do Ministério Público e da Polícia Federal indicam uma rede nacional, com setores estratégicos responsáveis por finanças, comunicação, tráfico internacional e expansão regional.
Nesta quinta-feira (28/5), os EUA classificaram o PCC como organização terrorista estrangeira. Paralelamente, um organograma elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil aponta cerca de 100 nomes ligados ao PCC e ao Comando Vermelho (CV).
Mapa de poder
No topo, continua Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Preso desde 2019 na Penitenciária Federal de Brasília, ele é apontado como o principal nome, influenciando rotas internacionais e reorganizações da facção. Abaixo, a chamada Sintonia Final concentra o comando.
Quadrado e a área financeira
Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado, lidera a Sintonia do Raio-X, responsável por finanças, desvios e lavagem de dinheiro. A divisão atua para monitorar recursos e esquemas financeiros da facção.
Comunicação digital
Na esfera da internet, André Luiz de Souza e Eduardo Fernandes Dias, o Andrezinho e o Destino, integram a Sintonia da Internet e Redes Sociais. Eles cuidam de comunicações internas, proteção de fontes e uso de apps criptografados.
Baixada Santista
A Baixada Santista, pela proximidade com o Porto de Santos, é apontada como rota internacional essencial. Contêineres contaminados são mencionados como meio de envio de cocaína à Europa. Lideranças incluem Maranhão (Adeilton Gonçalves da Silva), Primo (Mohamad Hussein Murad) e Alemão (José Carlos Gonçalves).
Fronteiras Sul
Paraná e Mato Grosso do Sul concentram lideranças ligadas ao tráfico transnacional de armas e drogas. Entre os nomes identificados, Gerson Palermo, preso na Bolívia após seis anos foragido, figura entre os principais. A região atua como ponto de abastecimento para o PCC.
Norte em disputa
No Amazonas e Rondônia, o PCC amplia atuação em disputas por rotas fluviais e fronteiras. Chefes regionais aparecem entre eles Gelson Carnaúba, o Mano G, e João Pinto Carioca, o João Branco, ligados à Família do Norte. A guerra por território reforça a expansão fora de São Paulo.
Nordeste em expansão
No Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte, o PCC avança por alianças locais. Destaques incluem Chiquinho (Francisco José de Souza) e Gegê do Mangue (Rogério Jeremias de Simone, morto em 2018), no Ceará; Colorido (Valdemir Pereira da Silva) na Bahia; e Zé Carlos (José Carlos da Silva) no RN. Confrontos internos também aparecem.
Antiga cúpula
Entre os históricos, está Tiriça (Roberto Soriano), atualmente no Complexo de Mossoró, condenado a mais de 70 anos. Ele figura como rival interno de Marcola após o racha. Também aparecem Vida Loka (Abel Pacheco de Andrade) e Andinho (Wanderson Nilton de Paula Lima), expulsos e rotulados como decretados.
Ligações internacionais
Fuminho (Gilberto Aparecido dos Santos) é considerado parceiro internacional importante de Marcola, atuando no tráfico global e conectando a facção ao exterior. As investigações destacam a importância dessas redes para o funcionamento do PCC fora do Brasil.
Fonte: informações de polícia e Ministério Público sobre organograma recente. Disseminação nacional ocorre com estruturas independentes em várias regiões, mantendo o PCC presente em boa parte do território brasileiro.
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