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PCC ligado ao setor de combustíveis eleva risco no Brasil após decisão de Trump

Vínculo do PCC com o setor de combustíveis eleva risco econômico do Brasil diante da designação dos EUA; Pix não deve sofrer impacto, exceto em cenário extremo

Posto de combustível é interditado durante a Operação Carbono Oculto 86, no Piauí
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  • Integrantes do governo dizem que o PCC atuando no mercado formal brasileiro, principalmente no setor de combustíveis, aumenta o risco para o Brasil diante da designação das facções como terroristas pelos EUA.
  • Há preocupação de que empresas estrangeiras escalem o overcompliance, evitando negócios com brasileiras por cautela excessiva; diálogos com o governo brasileiro se intensificaram desde a ameaça de classificação.
  • A Operação Carbono Oculto revelou vínculos entre o PCC e a cadeia de combustíveis, envolvendo postos, fornecedores e distribuidoras, com investigações também sobre movimentação de recursos no sistema financeiro.
  • O impacto sobre o Pix seria possível apenas em caso extremo, se os EUA considerarem que a transação facilita as atividades das facções; o ministro da Fazenda, Durigan, afirmou que o Pix não deve sofrer interrupções para a população.
  • Técnicos e interlocutores do governo enxergam potencial dano econômico maior do que o registrado na Magnitsky, com efeitos que dependem da reação dos EUA; estudos indicam queda do investimento estrangeiro direto em cenários de terorismo.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos aumenta o risco para agentes financeiros nacionais. A divulgação ocorreu após a decisão anunciada pelo governo americano, na quinta-feira.

Segundo interlocutores, o temor é que empresas estrangeiras recorrem a cautela excessiva, o chamado overcompliance, e deixem de fazer negócios com companhias brasileiras do setor de combustíveis. A preocupação ganhou força com as informações reveladas pela força-tarefa brasileira.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo com apoio da Receita, expôs vínculos entre o PCC e a cadeia de combustíveis, envolvendo postos, fornecedores e distribuidoras. Também há investigações sobre movimentações financeiras.

No campo financeiro, autoridades avaliam que sanções com base na classificação podem atingir o sistema financeiro nacional. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a decisão dos EUA pode afetar investimentos estrangeiros diretos e causar impactos econômicos.

A Secom divulgou nota alegando que o Pix poderia sofrer impactos, sem detalhar motivos. Técnicos do governo, porém, dizem que o efeito sobre o Pix ocorreria apenas em cenário extremo, se o governo americano entender que a ferramenta facilita operações das facções.

Durigan explicou em entrevista que o temor ao Pix já vinha de questionamentos nos Estados Unidos desde o início da gestão de Trump. O ministro ressaltou que o governo não pretende abandonar o uso do Pix pela população.

Especialistas consideram que o cenário é incerto e depende do apetite dos EUA para aplicar sanções. Estudos indicam que a classificação de facções como terroristas pode reduzir investimentos estrangeiros em diferentes países.

Além do setor de combustíveis, há risco de que a interpretação das sanções seja ampla o suficiente para desestimular negócios com empresas instaladas no Brasil, mesmo fora do setor analisado. Pesquisas apontam queda de fluxos de investimento em casos parecidos.

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