- Os Estados Unidos classificaram o PCC e o CV como organizações terroristas, o que, segundo o promotor Lincoln Gakiya, pode mudar o tratamento do tema de “polícia” para “defesa” nos EUA.
- Segundo ele, essa classificação pode abrir espaço para operações militares secretas sem anuência do governo brasileiro, em estilo similar ao aplicado na Venezuela e no México.
- A medida pode atingir instituições financeiras brasileiras e dificultar a cooperação internacional no combate ao crime organizado, com possíveis sanções a apoiadores e congelamento de bens.
- A troca de informações entre autoridades brasileiras e americanas pode fica mais difícil, uma vez que dados passariam a ser classificados como confidenciais ou secretas.
- Lincoln Gakiya, que atua no Gaeco, vive sob escolta constante por ameaças da facção; em 2018 já houve ameaça de morte relacionada a pedidos de transferência de membros do PCC.
A decisão dos EUA de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas pode afetar áreas financeiras, diplomáticas e até a soberania brasileira. A avaliação é do promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, MP de São Paulo.
Segundo ele, a designação SDGT muda a condução do tema de polícia para defesa, com a CIA e as Forças Armadas assumindo a responsabilidade, em detrimento do FBI e da DEA. O efeito, afirma, pode incluir ações militares secretas sem aprovação do Brasil.
Gakiya alerta ainda sobre impactos no sistema financeiro e na cooperação internacional contra o crime. Observa que dados entre PF e autoridades americanas podem ficar mais difíceis de compartilhar rapidamente.
Potenciais desdobramentos e impactos
A inclusão pode levar ao congelamento de bens de pessoas, empresas e instituições ligadas ao PCC ou CV, mesmo fora dos EUA. Há risco de sanções a quem forneceu apoio material aos grupos.
A medida pode dificultar a troca de informações entre autoridades brasileiras e americanas, caso dados sejam classificados como confidenciais. O ritmo de cooperação pode reduzir-se.
Ele ressalta que o sistema financeiro global é interligado ao dos EUA, o que pode ampliar efeitos para ativos de estrangeiros e instituições brasileiras.
Lincoln Gakiya atua há mais de 30 anos no MP de SP e lidera ações contra o PCC. Mantém escolta devido a ameaças contínuas da facção desde 2005.
Ameaças a ele já resultaram em operações de segurança para proteger autoridades, incluindo transferências de membros de organizações criminosas. Em 2018, houve interceptação de cartas codificadas com ordens para eliminação do promotor.
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