- Kenneth Law, acusado de vender mil e 200 kits de suicídio em quarenta países, incluindo o Reino Unido, deve ir a tribunal em Ontário, no Canadá, e possivelmente se declarar culpado por auxílio ao suicídio.
- Investigação da National Crime Agency mostrou que 286 pessoas receberam pacotes no Reino Unido, resultando em 112 mortes.
- Um acordo de plea ficou acordado para retirar acusações anteriores de homicídio, conforme informado pelos advogados de Law; ele pode enfrentar sentença no Canadá.
- No dia anterior ao julgamento, a NCA e o Crown Prosecution Service informaram às famílias que não irão extraditar Law para o Reino Unido após os procedimentos no Canadá.
- Familiares de vítimas reagiram com frustração, argumentando que a Inglaterra e o País de Gales deveriam processar Law e apontando falhas no sistema.
Kenneth Law, de 60 anos, não será extraditado para o Reino Unido após acordo com autoridades canadenses. Ele enfrentaria acusações de ter vendido 1.200 pacotes de suicídio em 40 países, incluindo o Reino Unido, e poderia se declarar culpado por auxiliar suicídio no Ontario, Canadá, sob um acordo judicial já em curso.
A decisão foi comunicada pela National Crime Agency (NCA) e pelo Crown Prosecution Service (CPS) aos familiares das vítimas, um dia antes da audiência prevista em Ontário. As autoridades dizem que Law deverá cumprir a pena total em procedimentos no Canadá, e não no Reino Unido.
Segundo apuração da NCA, sites canadenses vinculados a Law distribuíam kits que chegaram a 286 pessoas no Reino Unido, contribuindo para 112 mortes. A organização informou que a análise envolveu plataformas online e atividades transnacionais.
Alde Walton, irmã de Aimee Walton, morta em 2022 após adquirir um kit, reagiu criticamente à decisão. Ela afirmou que é insultante não haver uma atuação das autoridades britânicas. A família destacou a gravidade dos crimes realizados pela rede de Law.
Em carta às famílias, a NCA e o CPS explicaram que a remessa de crimes para um único processo de sentença no Canadá segue prática comum em casos transnacionais. A mensagem reconheceu a dor das vítimas e admitiu que alguns esperavam uma ação no Reino Unido.
Adele Walton ressaltou que a escala do suposto crime exigiria intervenção das autoridades britânicas. Ela mencionou a existência de uma nova “epidemia” de suicídio assistido pela internet e exigiu adaptação das respostas legais às novas tecnologias.
David Parfett, pai de Thomas Parfett, 22, disse que não se surpreende com a decisão, mas que o sistema não tem cumprido o que promete. Ele sugeriu a realização de uma investigação pública sobre como as mortes ocorreram.
Antes, o governo britânico havia rejeitado pedidos de apuração pública sobre o tema. A Molly Rose Foundation, representada pelo diretor-executivo Andy Burrows, destacou que famílias buscam justiça plena no Reino Unido e alertou para riscos contínuos enquanto o material for acessível.
Ao seguir adiante, as famíliasPlanejam se reunir com advogados na Leigh Day para discutir próximos passos legais. Adele Walton afirmou a continuidade da luta para evitar novas fatalidades associadas a pacotes de suicídio.
Em comunicado conjunto, Joanne Jakymec, chefe de acusação do CPS, e Craig Turner, diretor adjunto da NCA, reiteraram que não há solução que alivie a dor das vítimas. Eles disseram que o bem-estar das famílias permanece como prioridade nas decisões de justiça.
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