- O surto de ebola na República Democrática do Congo continua a crescer, com 1.077 casos suspeitos e 246 mortes suspeitas, nas províncias de Ituri e Kivu do Norte.
- A epidemia foi declarada pelo governo local e pela Organização Mundial da Saúde há mais de duas semanas; a OMS teme disseminação nacional e internacional.
- Organizações humanitárias afirmam que a resposta internacional está sendo insuficiente, com cortes de financiamento que afetam vacinação, logística e apoio em campo.
- O financiamento prometido pelos parceiros reduziu de quase 500 milhões de dólares para cerca de 290 milhões de dólares, conforme afirmou a África CDC; Alemanha também reduziu orçamento e contribuições ao BMZ.
- Especialistas e organizações humanitárias pedem maior investimento, apoio técnico e reforço de equipes, alertando que a situação pode piorar e que a falta de vacinas para a cepa Bundibugyo complicaria o controle.
Duas semanas após a declaração de epidemia no Congo, a resposta internacional enfrenta dificuldades para conter o ebola. O surto, registrado pela primeira vez em 15 de maio pela RDC, avança nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, no leste do país. Segundo a África CDC, já são 1.077 casos suspeitos e 246 mortes em investigação.
A OMS alerta que o vírus pode alcançar outras regiões do país e até países vizinhos se a resposta não for mais incisiva. Organizações humanitárias ressaltam que a Covid-19 deixou lições que não foram plenamente aplicadas, aumentando o risco de um dos surtos mais graves da história.
Financiamento internacional em queda
Mesmo diante do quadro, o financiamento à resposta tem recuado. A África CDC informou que promessas de apoio somadas a 500 milhões de dólares reduziram para cerca de 290 milhões, após ajustes feitos por parceiros. A OMS também sofre com a saída de financiadores, incluindo os Estados Unidos, maior contribuinte anterior.
A Alemanha, maior doadora, reduziu recursos a programas de saúde e à OMS. O BMZ confirmou aportes de aproximadamente 160 milhões de euros para 2026-2027, valor menor que em anos anteriores. A redução impacta ações de prevenção, vacinação e assistência aos pacientes.
Desafios no terreno
Relatos de organizações locais apontam que apenas cerca de 30% da demanda de ajuda está sendo atendida. Facilitadores de assistência destacam cortes de financiamento como empecilho para aquisição de insumos e para a vacinação contra o ebola. A região enfrenta ainda a destruição de infraestrutura médica causada por décadas de conflito.
Em Goma, escritório da Diakonie administra apoio aos atingidos e indica que muitas unidades hospitalares estão com recursos limitados, dificultando o atendimento a casos de ebola. O deslocamento de equipes e a logística de operação em áreas controladas por milícias agravam os obstáculos.
Perspectivas e apoio internacional
O governo alemão informou que pretende manter apoio à prevenção de epidemias e enviar especialistas ao leste da RDC. Ainda assim, a ausência de itens básicos, como equipamentos de proteção e laboratórios de rastreamento, segue como entrave para ações de contenção.
Especialistas destacam a necessidade de ampliar o suporte a organizações da sociedade civil em terreno, que possuem melhor acesso às comunidades. A ausência de uma vacina para a cepa Bundibugyo amplia a dependência de medidas de diagnóstico, isolamento e vigilância, com previsão de que o desenvolvimento de uma vacina leve pelo menos nove meses.
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