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Crise de energia deixa 90% dos venezuelanos no escuro

Apesar de grande potencial hidrelétrico, a Venezuela enfrenta apagões diários que afetam famílias, comércio e produção, freando a recuperação econômica

Os cortes de eletricidade afetam todo tipo de atividade na Venezuela, das tarefas domésticas à produção industrial.
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  • Pesquisas indicam que nove em cada dez residências venezuelanas tiveram interrupções no fornecimento de energia, com quatro em cada dez enfrentando quedas diárias.
  • No primeiro trimestre de 2026 houve trinta e seis protestos por falta de energia, segundo o Observatório Venezolano de Conflitos Sociais, devido a cortes sem aviso.
  • A demanda elétrica atingiu cerca de 15.579 megawatts, reflexo da reabertura econômica e da expansão de atividades comerciais e industriais, conforme autoridades.
  • A Venezuela tem capacidade instalada de aproximadamente 36 mil MW, mas a disponibilidade real fica entre 13 mil e 13,5 mil MW, com cerca de oito em cada dez gerados por usinas hidrelétricas antigas e limitações de transmissão.
  • Especialistas e empresas apontam que a recuperação do sistema exige cerca de US$ 45 bilhões e aproximadamente seis anos, além de mudança política e gestão mais eficiente para sustentar o crescimento econômico e a produção de petróleo.

A Venezuela enfrenta uma crise energética que afeta residências, comércio e indústria. No dia 5 de maio, moradores de Maracaibo ficaram sem luz das 20h à meia-noite, mesmo com o aniversário de Maria interrompido pela falta de energia. A cidade fica no oeste do país.

Segundo dados oficiais, o problema não é isolado. A Encovi de 2025 aponta que 90% das casas sofrem interrupções, e 40% enfrentam cortes diários por horas. Novas quedas têm se intensificado em 2026, ampliando o impacto econômico.

Em Maracaibo, Maria precisou usar lâmpadas a pilha e ventiladores portáteis para enfrentar o calor de cerca de 30 °C. A experiência comum de falhas recorrentes revela a gravidade do déficit elétrico permanente.

O alcance do problema

No primeiro trimestre de 2026, ocorreram 36 protestos por falta de eletricidade, segundo o Observatório Venezuelano de Conflitos Sociais. As manifestações surgem por quedas sem avisos que interrompem atividades essenciais.

O governo interino, liderado por Delcy Rodríguez, atribui o aumento da demanda ao crescimento econômico e ao aquecimento global. O ministro da Energia Elétrica, Rolando Alcalá, destacou maior consumo com a reabertura comercial e industrial.

Miguel Lara, engenheiro com 30 anos de experiência no setor, afirma que a demanda de 15.579 MW representa pouco mais de 5% de aumento frente a 2025. Mesmo assim, o sistema não suporta novas necessidades.

Capacidade instalada versus disponibilidade

Lara diz que a Venezuela tem capacidade instalada estimada em 36 mil MW, mas a disponibilidade real fica entre 13 mil e 13,5 mil MW. A rede de transmissão limita o uso de fontes renováveis, em especial hidrelétricas, a cerca de 10 mil MW.

A produção de petróleo depende do fornecimento elétrico, e quedas de energia podem derrubar dezenas de poços. Susana Brugada, da Chevron, afirma que falhas elétricas derrubam produção de forma rápida e repetida.

A maior parte do petróleo é extraída na Faixa Petrolífera do Orinoco e depende da rede. Sem energia adequada, o aumento da produção fica comprometido, conforme avaliam executivos e especialistas.

Caminhos e custos

Especialistas defendem um plano estruturado com gestão profissional, financiamento de multilateral e privado. Uma estimativa de Lara aponta necessidade de cerca de US$ 45 bilhões e seis anos para estabilizar o sistema e sustentar crescimento.

Entre as medidas, aponta-se mobilização de financiamento externo, recuperação de infraestrutura existente e mudança política para melhorar governança. O diagnóstico sugere que recursos não são o único fator; gestão deficiente agrava a crise.

Empresários locais também buscam soluções rápidas, como créditos para aquisição de geradores e painéis solares, além de ajustes nos horários de funcionamento para compensar falhas.

Perspectivas

Especialistas destacam que mudanças políticas são cruciais, mas não suficientes por si. A recuperação da rede elétrica exige planejamento detalhado, investimentos maciços e prazo estável para infraestrutura crítica.

Enquanto não há resposta rápida, moradores como Maria continuam dependendo de soluções improvisadas para enfrentar a escassez de energia, mesmo com pilares econômicos e reservas de petróleo de alto peso global.

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