- Interrupções de energia atingem 90% das residências na Venezuela, com cortes diários de várias horas em muitos locais.
- A edição de 2025 da Pesquisa de Condições de Vida (Encovi) aponta maioria das casas com falhas no fornecimento; quatro em cada dez dizem ter cortes diários.
- A Venezuela tem capacidade instalada de cerca de 36 mil MW, mas a disponibilidade real fica entre 13 mil e 13,5 mil MW.
- A demanda de eletricidade chegou a 15,6 mil MW no início de 2026, um ganho modesto em relação a 2025, e os apagões persistem sem avisos.
- O problema envolve geração e transmissão: o sistema tem limite de transmissão de cerca de 10 mil MW, com usinas termelétricas operando abaixo da capacidade, prejudicando a produção petrolífera e investimentos.
O fornecimento de eletricidade na Venezuela voltou a falhar de forma generalizada, atingindo cerca de 90% das residências, segundo dados da Encovi de 2025. Em Maracaibo, no oeste do país, moradores passaram o aniversário sem energia, com cortes que se estenderam por várias horas.
A crise tem raízes em décadas de falhas de manutenção e gestão da infraestrutura de geração e transmissão. Embora o país conte com grande capacidade hidrelétrica, o sistema elétrico opera com restrições de transmissão e com pouca disponibilidade de potência instalada.
No primeiro trimestre de 2026, ocorreram dezenas de protestos relacionados à interrupção do fornecimento de energia, conforme dados de observatórios locais. Gestores públicos atribuem o problema ao aumento do consumo gerado pela recuperação econômica, enquanto técnicos ressaltam limitações físicas do sistema.
Capacidade instalada x disponibilidade
Especialistas apontam que a Venezuela tem capacidade instalada de aproximadamente 36 mil MW, mas a disponibilidade real fica entre 13 mil e 13,5 mil MW. A diferença entre o potencial e o que chega à rede agrava a repetição de quedas de energia em várias regiões.
O sistema depende majoritariamente de fontes hidrelétricas, que hoje geram em torno de 17 mil MW, mas a transmissão limita a utilização a cerca de 10 mil MW. Outras usinas termelétricas operam com apenas parte de sua capacidade, dificultando a recuperação da oferta.
Para setores estratégicos, a indisponibilidade de energia também impacta atividades industriais e de exploração. Em campo, a produção petrolífera fica fragilizada pela instabilidade elétrica, o que complica planos de retomada econômica anunciados pelo governo.
Susana Brugada, gerente de assuntos corporativos da Chevron na Venezuela, relata impactos diretos da interrupção na produção de petróleo, com quedas de poços quando há falhas no abastecimento elétrico. A relação entre energia e produção é evidente, segundo a executiva.
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