Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

De ator liberal em Hollywood a figura central da machosfera

BBC investiga como El Temach e outros influenciadores da machosfera ganham milhões com discurso misógino, moldando jovens e ampliando influência global

El Temach é o maior influenciador da chamada machosfera na América Latina, com 11 milhões de seguidores
0:00
Carregando...
0:00
  • A BBC investigou influenciadores da machosfera, destacando El Temach (Luis Castilleja), o maior nome dessa corrente na América Latina, com mais de 11 milhões de seguidores e conteúdo centrado em hipermasculinidade.
  • A irmã de El Temach, Alex, afirma que ele mudou de pessoa e que eles não se falam mais; diz que ele copiou o discurso de Andrew Tate para crescer.
  • Além de El Temach, a reportagem foca em Andrew Kibe, do Quênia, e mostra que os seguidores desses criadores aumentaram, em média, três vezes nos últimos três anos em regiões com avanços limitados na igualdade de gênero.
  • Estima-se que El Temach tenha ganho cerca de US$ 1,5 milhão com visualizações entre abril de 2025 e 2026, mais US$ 200 mil a 300 mil com Super Chats e cerca de US$ 800 por pessoa em workshops; o grupo também vende mercadorias e promova conteúdos pagos.
  • A investigação traz relatos de impacto real, incluindo casos de seguidores que adotaram discursos misóginos; El Temach e Kibe negam uso misógino de forma inequívoca, enquanto a BBC aponta riscos de propagação de mensagens que colocam mulheres em papéis estereotipados.

Luis Castilleja, conhecido como El Temach, passou de ator em Los Angeles a uma das vozes centrais da machosfera na América Latina, somando mais de 11 milhões de seguidores. A transformação ocorreu ao longo de uma década, iniciando no fim da década passada quando ainda buscava espaço em Hollywood. Hoje ele promove conteúdo centrado na hipermasculinidade e autoconfiança, com foco em homens jovens.

A BBC investigou ainda outros 15 influenciadores da região, incluindo figuras na Ásia, África e América Latina, para compreender o alcance e os impactos de esse tipo de conteúdo. Em média, os seguidores desses criadores cresceram de forma acelerada nos últimos três anos, sinalizando maior adesão entre audiências de países em processo de evolução de gênero.

Entre os nomes analisados está Andrew Kibe, uma figura proeminente no Quênia que aborda empoderamento masculino e misoginia. Em suas redes, as mensagens costumam criticar mães solteiras e atribuídas manipulações às mulheres. A reportagem aponta que ambos, El Temach e Kibe, negam veementemente qualquer caráter misógino em seus conteúdos.

A investigação incluiu a observação de seguidores da geração Z em dois países, o México e o Quênia, com acesso a anos de atividades em redes sociais. A análise revelou padrões de consumo de vídeos, curtidas, comentários e compartilhamentos que ajudam a traçar trajetórias de fãs em direção à machosfera.

Trajetória e impacto pessoal

O mexicano Julián, de 19 anos, começou no Instagram aos 16, com conteúdos de carros e condicionamento físico. O material de El Temach reaparece no feed de recomendações, levando Julián a consumir milhares de vídeos de criadores da machosfera. Julián afirmou à BBC que percebe o feminismo como responsável por tornar invisíveis problemas dos homens.

A irmã de El Temach, Alex Castilleja, descreve a mudança do irmão como abrupta. Ela relata que, inicialmente, o objetivo era ajudar homens a lidar com dificuldades, mas a partir de 2020 o conteúdo passou a enfatizar mensagens de superioridade masculina, com críticas frequentes às mulheres. Alex descreve um distanciamento pessoal entre as identidades passadas e atuais.

Segundo a BBC, a percepção de alguns fãs sobre o conteúdo envolve disciplina, autoconfiança e a ideia de que as mulheres ocupam papéis secundários na sociedade. Em Las Vegas, onde ocorreu uma apresentação de El Temach, o conteúdo incluiu recomendações para evitar relacionamentos com mulheres identificadas como problemas e críticas a mães solteiras, com foco em supostos impactos ruins em decisões de vida.

Ganhos e monetização

A reportagem aponta ganhos significativos para El Temach entre abril de 2025 e 2026, com aproximadamente 1,5 milhão de dólares apenas com visualizações em plataformas, além de entre 200 mil e 300 mil dólares com super chats em transmissões ao vivo e até 800 dólares por participante em workshops. A equipe do influenciador não confirmou a renda estimada.

Para Andrew Kibe, a monetização inclui venda de mercadorias e até uma criptomoeda criada por ele. Em resposta às perguntas, Kibe afirmou que prefere não classificar seu conteúdo sob a rubrica de misoginia. A BBC também contatou El Temach, que participou da reunião inicial mas não continuou, optando por não falar à reportagem.

Repercussões sociais

Especialistas em estudos de gênero destacam que narrativas da machosfera podem influenciar atitudes e comportamentos, especialmente entre jovens. Em alguns casos observados, seguidores passaram a expressar desdém em relação a mulheres e a promover visões estereotipadas de masculinidade. Pesquisadores ressaltam que esse tipo de discurso pode impactar relações pessoais e decisões cotidianas.

Duas histórias de seguidos, incluindo uma médica mexicana que relatou situações de controle coercitivo associadas a conteúdos de machosfera, são citadas pela reportagem para ilustrar possíveis efeitos no mundo real. A BBC enfatiza a necessidade de analisar criticamente esse tipo de conteúdo e suas consequências para a dinâmica entre mulheres e homens.

Contexto global

A pesquisa situa o fenômeno em um contexto de crescente participação de conteúdos de machosfera em diferentes regiões, com variações históricas e culturais na aceitação de igualdades de gênero. Especialistas entrevistados pela BBC apontam que a presença de discursos que responsabilizam mulheres ou minimizam desafios de homens pode refletir debates públicos sobre gênero, trabalho e relações familiares.

A reportagem ressalta ainda que, apesar de negar o termo misoginia, alguns influenciadores mantêm uma estética comunicativa que frequentemente desvaloriza mulheres e promove uma visão de masculino como essencial para a estabilidade pessoal. A BBC não atribui culpa direta a indivíduos únicos, mas descreve padrões de conteúdo e de audiência que configuram um ecossistema de influenciadores nesse nicho.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais