- O sociólogo e filósofo Edgar Morin morreu aos 104 anos nesta sexta-feira, 29 de maio; a esposa, Sabah Abouessalam Morin, informou no dia seguinte.
- Morin ficou conhecido pelo pensamento complexo, defendendo uma visão multidisciplinar que conecta saberes e enfrenta a fragmentação do conhecimento.
- Nascido em 8 de julho de 1921, em Paris, era filho de uma família judia; ingressou no Partido Comunista em 1941 e participou da resistência ao nazismo.
- Publicou cerca de quarenta livros e atuou no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), onde foi diretor de pesquisa entre 1970 e 1993.
- Ao longo da carreira, teve controvérsias públicas, incluindo um processo por antissemitismo que acabou sem condenação; manteve atuação crítica sobre questões ecológicas e civilizacionais.
O sociólogo e filósofo francês Edgar Morin morreu nesta sexta-feira, 29 de maio, aos 104 anos. A informação foi divulgada pela esposa, Sabah Abouessalam Morin, neste sábado, 30 de maio. O pensador é conhecido pela defesa de uma visão multidisciplinar para entender a humanidade, em oposição à sociologia tradicional.
Morin nasceu em Paris, em 1921, em uma família judia de origem grega. Ingressou no Partido Comunista em 1941, participou da resistência ao nazismo sob o pseudônimo Morin e publicou seu primeiro livro em 1946. Trabalhou no CNRS a partir de 1950, liderando pesquisas entre 1970 e 1993.
Seu legado está ligado ao conceito de pensamento complexo, que busca conectar saberes normalmente dissociados para enfrentar a complexidade da realidade. Em 1959, publicou Autocrítica, uma obra marcante que aborda sua expulsão do PCF e a crítica ao stalinismo.
Legado e atuação acadêmica
Morin foi um dos fundadores do Comitê de Intelectuais contra a Guerra da Argélia e ficou conhecido por abordar fenômenos pouco estudados pela sociologia, como cinema, tecnologia e transformação rural. Ao longo de sua trajetória, escreveu cerca de 40 livros, muitos traduzidos, e recebeu 38 doutorados honoris causa.
Além de obras de forte orientação social, manteve atuação pública com artigos de opinião e debates sobre ecologia, civilização e globalização. Em 2012, participou de um debate com o então presidente François Hollande sobre caminhos para a civilização. Em 2024, continuava ativo na produção de textos.
Morin também tratou de temas polêmicos ao longo da vida, incluindo críticas a políticas e eventos históricos; chegou a ser processado por associações antissemitas, mas venceu o processo no mais alto tribunal da França. Deixar um grande acervo, ele deixa duas filhas e uma marca duradoura no pensamento contemporâneo.
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