- Em 2020, Buckingham Palace recebeu um arquivo com cerca de 30 mil e-mails ligados aos negócios do príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, incluindo informações sobre operações financeiras controversas.
- Os e-mails teriam sido extraídos de um contato comercial do duque e entregues ao Lord Chamberlain, a mais alta função no Royal Household.
- A nova apuração policial, anunciada pela Thames Valley Police, investiga a conduta de Mountbatten-Windsor no cargo público, após sua prisão.
- Documentos do High Court mostram que uma cópia do arquivo foi entregue ao Lord Chamberlain em maio de 2020, e que, em junho de 2022, houve referência à entrega dos e-mails ao Palácio.
- O conteúdo do arquivo, com mensagens até junho de 2013, envolve relações com os Rowland e a Banque Havilland, temas já discutidos em outros processos legais.
Buckingham Palace recebeu, em 2020, um arquivo com cerca de 30 mil e-mails ligados às finanças do duque de York, Andrew Mountbatten-Windsor, que indicariam envio de informações confidenciais do governo durante o período em que atuava como trade envoy. Os e-mails teriam sido retirados de um contato empresarial pessoal do então príncipe.
Conforme documentos de tribunalhos, o arquivo foi entregue ao Lord Chamberlain, o oficial mais sênior da Royal Household. A entrega ocorreu anos antes de as investigações ganharem destaque público, em meio a disputas legais envolvendo o conteúdo dos e-mails.
Os registros indicam que a correspondência foi recebida pelo Palácio durante o reinado da rainha Elizabeth II. Em 2022, tribunal apresentou referência a um e-mail datado de 10 de julho de 2020 confirmando a entrega ao Palácio.
A conta de e-mails abrange conteúdo até junho de 2013 e ainda não está claro quanto do material foi efetivamente analisado ou liberado para autoridades. O material surge no contexto de controvérsias sobre as ligações de Mountbatten-Windsor com Jonathan Rowland e com a Banque Havilland, ligada a Kaupthing.
Controvérsias financeiras
Relatórios deste ano revelaram que Mountbatten-Windsor pediu um briefing confidencial ao Tesouro em 2010 e informou um contato empresarial, que recebeu o conteúdo antes de ações futuras. O destinatário foi Jonathan Rowland, ligado a operações financeiras do Rowland grupo.
Jonathan Rowland já confirmou à BBC que mensagens sobre bancos da Islândia vazadas tinham origem na sua conta. Tais mensagens teriam integrados o conjunto de arquivos enviados ao Palácio.
Os e-mails compartilhados com o Palácio teriam sido obtidos após disputas entre colegas de negócio. Posteriormente, Kevin Stanford, ex-dono da All Saints, recebeu parte do material durante uma controvérsia separada sobre investimentos no Kaupthing.
Documentos judiciais indicam que Stanford ofereceu o arquivo às autoridades de Mônaco e Luxemburgo, além de compartilhar com o Lord Chamberlain. A função de Lord Chamberlain, em 2020, estava com Lord Peel, conforme a imprensa, e o Palácio não se manifestou sobre o tema.
O conteúdo dos e-mails envolve o período de atividades de Mountbatten-Windsor, com vínculos aos Rowlands e à Banque Havilland, que enfrentaram sanções regulatórias no Reino Unido e na União Europeia. O Palácio não detalhou o destino final do material.
Mountbatten-Windsor nega irregularidades em relação a Jeffrey Epstein e nega ganho pessoal com o papel de trade envoy. Não há confirmação pública sobre o que ocorreu com os e-mails enviados ao Palácio.
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