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PCC e CV ameaçam soberania brasileira mais que EUA, diz pesquisador

Pesquisador afirma que PCC e CV já erodem a soberania brasileira; a reclassificação pelos EUA pode ampliar cooperação internacional, com riscos internos

Agente da Politica Federal por 25 anos, pesquisador de terrorismo e subsecretário de Integração da Segurança Pública de Minas Gerais, Christian Vianna é especialista em terrorismo e crime organizado transnacional
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  • Pesquisador Christian Vianna afirma que PCC e CV ameaçam a soberania brasileira ao ocuparem territórios onde o Estado não atua, ficando mais além do que os EUA.
  • Ele diz que a reclassificação pelos Estados Unidos como terroristas é uma decisão política com potencial de ampliar cooperação internacional e o combate financeiro às facções.
  • O lado positivo, segundo Vianna, é a abertura para enfrentar as facções a partir de cooperação externa; o risco é sanções econômicas a empresas que possam ter sido usadas em lavagem de dinheiro.
  • A classificação não altera o já existente enfrentamento ao crime organizado, mas pode ampliar atuação extraterritorial dos EUA; não espera-se intervenção operacional americana no Brasil.
  • O principal desafio brasileiro é a integração entre órgãos e Estados para enfrentar PCC e CV de forma coordenada, reconhecendo a necessidade de uma resposta multidimensional e de longo prazo.

Partes da classe política brasileira veem a reclassificação de PCC e CV como terrorismo pelos EUA como ameaça à soberania. Contudo, Christian Vianna, pesquisador de terrorismo e ex-PF, afirma que a fusão entre crime organizado e terrorismo representa risco institucional já presente no país.

Vianna, que atua desde 2021 como subsecretário de Integração da Segurança Pública de Minas Gerais, diz que PCC e CV já ocupam territórios onde o Estado não chega. Para ele, a ameaça vai além do terrorismo e alcança a soberania nacional.

A avaliação dele é de que a decisão americana é política, mas pode impulsionar cooperação internacional e ações de combate financeiro. O principal benefício seria a pressão global para interromper fluxos financeiros dessas facções.

Entre os riscos, o pesquisador aponta impactos indiretos em empresas e instituições financeiras, que podem ser envolvidas em esquemas de lavagem. Ele também não espera intervenção operacional norte-americana em território brasileiro.

Vianna vê a designação como mudança de cenário que reforça a necessidade de resposta coordenada do Estado. O desafio não é apenas classificar, mas enfrentar as organizações de forma integrada no Brasil.

Novas dinâmicas de combate

Segundo o pesquisador, não basta atuação policial isolada. A luta contra PCC e CV exige integração entre Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público, Banco Central e judiciário. Falta padronização de procedimentos e compartilhamento de informações.

Ele afirma que o Brasil precisa de uma estratégia nacional que envolva estados, concessionárias e a sociedade. A ideia é atuar tanto no território quanto no espaço financeiro, com cooperação internacional quando oportuno.

Cooperação internacional

Vianna aponta que a designação pode ampliar a cooperação com os EUA na rastreabilidade de recursos desviados. O objetivo é interromper operações de lavagem que utilizam redes globais, incluindo instituições situadas fora do Brasil.

Apesar do avanço na cooperação, o pesquisador não visualiza ações militares americanas no Brasil. Ele destaca que, historicamente, EUA e Brasil mantêm relação diplomática estável e cooperação policial em uso de terrorismo doméstico.

Contexto regional e impactos

O especialista ressalta que o PCC já opera com redes internacionais, ligadas a cartéis e a mercados na Europa e na África. A mudança de status pode ampliar o acesso de EUA a informações e facilitar ações administrativas de congelamento de ativos.

Por fim, Vianna lembra que o combate ao crime organizado transnacional é um projeto de longo prazo. Mudanças administrativas não substituem políticas públicas contínuas, que devem envolver governo, órgãos de fiscalização e sociedade.

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