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Adolescente de 15 anos morta por recusar casamento com primo; família celebra

Parente descreve assassinato de Kawthar, 15, por recusa de casamento; celebração em rua acende alerta sobre casamento infantil no Iraque

Kawthar Bashar al-Husayjawi, the 15-year-old girl who was killed by family members in Iraq after refusing to marry her cousin
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  • Kawthar Bashar al-Husayjawi, 15 anos, foi morta por familiares em al-Nahrawan, suleste de Bagdá, após se recusar a se casar com o primo; relatos indicam uso de dez tiros e golpes com machado.
  • A família, segundo a testemunha, celebrou a morte nas ruas, enquanto Kawthar já havia sido obrigada a um casamento arranjado aos 13 anos e sofreu violência significativa.
  • Depois de fugir, Kawthar foi raptada por três dias por um vizinho; a família não acreditou em seu relato, mesmo com imagens de câmeras apoiando a versão de estupro/rapto.
  • A polícia teria pedido propina para registrar o caso como se fosse um sequestro, em vez de homicídio, destacando possível conivência e impunidade ligada a práticas de “honra”.
  • A jornalista lembra que mudanças legais recentes permitem casamento infantil a partir de nove anos, aumentando a vulnerabilidade de meninas e a possibilidade de violência.

Kawthar Bashar al-Husayjawi, 15 anos, foi morta por familiares no Iraque após se recusar a se casar com o primo. A jovem, de al-Nahrawan, sudeste de Bagdá, já havia sido retirada da escola e forçada a casar-se aos 13 anos, com um marido alcoolista e bem mais velho.

Segundo relatos de uma parente, Kawthar foi executada com 10 tiros e teve a cabeça esmagada com um machado. O corpo foi jogado em um poço, enquanto a família celebrou nas ruas, segundo a testemunha. A violência durou meses antes do desfecho.

A jovem fugiu da casa após o noivado ser acordado, mas foi recapturada após três dias de desaparecimento, em meio a denúncias de rapto. A família a levou para uma área aberta, na periferia de Bagdá, onde ocorreu o assassinato.

Após o ocorrido, surgiram relatos de permissões familiares para a celebração da morte, com membros da tribo dançando nas ruas. A testemunha afirma que não houve luto público dentro da família e que a polícia pode ter tentado encobrir o caso mediante suborno.

A narrativa descreve ainda uma falha institucional: a alegação de intimidação para que a versão de rapto fosse aceita pela polícia. Em meio à comoção, familiares recorreram a veículos de mídia para cobrar justiça e preservar a dignidade de Kawthar.

A história ocorre em um contexto de leis que permitem casamento infantil em território iraquiano. A jovem tinha sido impedida de buscar educação e de se sustentar, condições que a tornaram mais vulnerável à violência. Autoridades e leis locais são citadas como parte do debate sobre proteção de mulheres e meninas.

Contexto legal e riscos persistentes

A matéria aponta que leis iraquianas não tratam explicitamente o conceito de “honra” como motivação de crime, mas há brechas legais que, em casos semelhantes, podem reduzir punições. A reportagem também destaca o aumento de casamentos infantis, com mudanças legais que ampliam a possibilidade de casamento para crianças a partir de nove anos.

A testemunha diz temer que casos assim sejam ocultados ou classificados de modo a minimizar a gravidade do ato. Ela enfatiza a necessidade de responsabilização efetiva e de proteção às mulheres para evitar que outras Kawthars enfrentem violência semelhante. O caso segue sob apuração e cobrança por justiça.

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