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França venderá submarinos à Argentina; construção no Brasil, diz ministro

Submarinos Scorpène vendidos à Argentina devem ser construídos no Brasil, ampliando a Base Industrial de Defesa e fortalecendo laços regionais

O ministro José Mucio entre o comandante da Marinha, Marcos Olsen (à esq.) e o almirante Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, diretor-geral de desenvolvimento nuclear e tecnológico da Marinha, durante visita ao Complexo de Itaguaí, em 2023
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  • O ministro da defesa, José Múcio, voltou da Argentina com o compromisso de que os três submarinos franceses da classe Scorpène de Buenos Aires deverão ser construídos no Complexo de Itaguaí, no Rio de Janeiro.
  • A visita teve como objetivo descongelar relações militares e avaliar a compra do cargueiro militar KC-390 da Embraer pela Argentina, além de explorar financiamento conjunto.
  • Múcio anunciou planos de viagem para outros países da região até agosto, incluindo Chile, Paraguai, Peru, Colômbia e Venezuela, para apresentar a Base Industrial de Defesa do Brasil.
  • O governo argentino assinou, no fim de dois mil e vinte e quatro, carta de intenções com o Naval Group, sócio da Novonor no Complexo de Itaguaí, para aquisição de submarinos convencionais da classe Scorpène.
  • Além dos submarinos, houve conversa sobre venda do KC-390, com financiamento do BNDES, em busca de ampliar a presença regional da indústria de defesa brasileira.

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, voltou da Argentina com a sinalização de que os três submarinos franceses da classe Scorpène, previstos para a Argentina, devem ser construídos no Complexo de Itaguaí, no Rio de Janeiro. A viagem ocorreu na terça-feira, 26, com o objetivo de recolocar as relações militares entre os dois países.

Múcio esteve acompanhado por representantes do setor privado brasileiro, entre eles diretores da Embraer, na missão que também tratou da possível venda de um cargueiro militar KC-390 ao vizinho. O encontro ocorreu após uma rodada de conversas com autoridades argentinas para alinhavar financiamento e construção das embarcações.

A visita marcou o início de uma série de encontros regionais que o ministro planeja realizar até agosto com outros países da América do Sul, para apresentar a Base Industrial de Defesa brasileira. Em Brasília, Múcio afirmou a empresários que o Chile, o Paraguai, o Peru, a Colômbia e a Venezuela devem receber visitas de trabalho.

Construção no Brasil e desdobramentos

Segundo relatos, o acordo envolve a construção no Brasil das novas unidades da Scorpène, com a participação do Naval Group, que já atua no Complexo de Itaguaí na construção de submarinos para a Marinha do Brasil. Em Itaquaí, a indústria local já abriga a produção de submarinos derivados da classe Scorpène, utilizados pela frota brasileira.

A parceria com a Argentina também envolve a cooperação na área de defesa, com planos de ampliar a cooperação tecnológica e industrial entre os dois países. O governo argentino manifestou interesse em ampliar o uso de produtos da Base Industrial de Defesa brasileira, mantendo o foco em capacidades estratégicas regionais.

Além das obras navais, Múcio sinalizou interesse argentino pela aeronave KC-390, com eventual financiamento via apoio do BNDES e cooperação entre as defesas dos dois países, conforme as posições divulgadas pela comitiva. O tema de defesa permanece sob análise em consultas que envolvem governos e setores empresariais.

O esforço brasileiro de ampliar a cooperação militar na região busca ganhos de emprego, arrecadação de impostos e desenvolvimento tecnológico, conforme apontado pelo ministro. A Base Industrial de Defesa representa uma parcela relevante da economia, com impactos potenciais sobre o emprego formal e a cadeia de fornecimento nacional.

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