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PCC sem fronteiras: como funciona a expansão internacional das facções

PCC se espalha para vinte e oito países, com mais de dois mil integrantes, operando como força transnacional nas cadeias criminosas globais

Fernandinho Beira-Mar e Marcola, líderes do CV e PCC, respectivamente
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  • Relatório do Ministério Público de São Paulo indica que o PCC está em 28 países, com cerca de 2 mil integrantes no exterior, totalizando aproximadamente 40 mil membros no mundo.
  • Pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas afirmam que facções, como PCC, Tren de Aragua e Cartel de Jalisco Nueva Generación, operam globalmente com governança e controle de cadeias ilícitas.
  • A atuação internacional varia por país: no Paraguai, líderes rastreiam carregamentos e disciplinam membros; na Europa, o PCC atua como parceiro de negócios, usando intermediários como a Ndrangheta italiana.
  • Especialistas defendem cooperação internacional de inteligência para enfrentar redes transnacionais, ressaltando que derrubar fronteiras isoladamente não basta.
  • Em 28 de outubro de 2025, os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, com atuação identificada em 12 estados norte-americanos até o dia 30 de outubro.

O PCC e outras facções criminosas expandem suas estruturas além das fronteiras do Brasil, atuando em quase 30 países com mais de 2 mil integrantes, segundo o Ministério Público de São Paulo. Pesquisadores destacam governança interna e presença em cadeias de suprimento ilícitas globais.

De acordo com um relatório da MPSP, a atuação internacional envolve países da América Latina e além, com destaque para Paraguai, Venezuela, Bolívia e Uruguai. A pesquisa cita estruturas que controlam bairros, presídios e economias locais, sem ficar restrita a um território único.

Estudos da FGV, publicados no New York Times, afirmam que as facções funcionam como forças políticas transnacionais. O texto aponta o PCC, o Tren de Aragua e o Cartel de Jalisco Nueva Generación como exemplos de atuação coordenada globalmente.

Os pesquisadores explicam que o PCC recebe apoio de redes no exterior para movimentar drogas, com ligações a intermediários europeus e a centros financeiros, além de parcerias com organizações italianas como a Ndrangheta para operações portuárias na Europa.

Um mapeamento do MPSP, em junho de 2025, aponta 2.078 integrantes do PCC fora do Brasil, somando cerca de 40 mil membros no mundo. Entre os países com maior atuação estão Paraguai, Venezuela, Bolívia e Uruguai.

O NYT descreve que governos de esquerda e de direita falham em acompanhar essas organizações, que mantêm governança por meio de reputações, lucros compartilhados e ameaças críveis. As redes operam com múltiplos gargalos logísticos e financeiros.

Em paralelo, o Wall Street Journal comparou o PCC à máfia italiana na Europa, destacando apreensões recordes de cocaína e guerras entre grupos em grandes portos. A matéria ressalta a dimensão corporativa das facções.

Em entrevista à CNN Brasil, o promotor Lincoln Gakiya associa o PCC a mafias africanas e às Farc, afirmando vínculos com diversas organizações globais. A rede internacional é apresentada como multifacetada e dispersa por várias jurisdições.

Como combater, os especialistas defendem que ações pontuais contra estruturas geográficas não são suficientes. Em vez disso, sugerem cooperação internacional e uso intensivo de inteligência para desmantelar redes transnacionais.

Eles ressaltam que a logística de operações depende de roteiros globais, e que interrupções locais provocam rearranjos dentro das redes, não o fim imediato das atividades. A estratégia recomendada envolve dados financeiros, remessas e investigações conectadas.

Em outubro de 2025, a Megaoperação Contenção no Rio de Janeiro, nas áreas da Penha e do Alemão, resultou em grande violência e mortos. A Polícia Federal não participou, segundo apurações da imprensa, por considerar o planejamento arriscado e desalinhado com a raiz do problema.

Especialistas afirmam que fraquezas de controle podem fragilizar facções como PCC e CV. O caminho sugerido é uma articulação internacional firme, com inteligência compartilhada entre países e cooperação multilaterais.

No cenário dos Estados Unidos, o governo classificou PCC e CV como organizações terroristas, ampliando o debate sobre como agir ante redes transnacionais. Autoridades indicam ações em múltiplos estados para conter atividades dessas facções.

Nesta semana, o debate sobre a repressão ao crime transnacional ganha impulso com medidas diplomáticas, cooperação de polícias e novos acordos de compartilhamento de informações, visando reduzir o alcance das redes.

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