- A Coreia do Norte depende quase inteiramente da China para o comércio exterior, com até noventa e cinco por cento do seu comércio total e oitenta e cinco por cento das exportações indo para o país.
- Em 2024, as importações legais norte-coreanas somaram aproximadamente 2,33 bilhões de dólares, enquanto as exportações ficaram próximas de 360 milhões de dólares.
- As exportações são dominadas pela venda de cabelos artificiais e perucas, que respondem por cerca de quarenta por cento do total, principalmente para a China.
- A economia paralela envolve envio de dezenas de milhares de trabalhadores ao exterior, com o Estado ficando com a maior parte dos salários; remessas em 2024 teriam alcançado 800 milhões de dólares.
- Hackers norte-coreanos haviam roubado cerca de 2 bilhões de dólares em criptomoedas no ano anterior, e a venda de armamentos para a Rússia desde 2023 gerou entre sete e treze pontos oito bilhões de dólares.
A Coreia do Norte mantém uma economia marcada pela dependência externa, com a China figurando como o principal elo do comércio e do abastecimento de insumos. Em 2024, o PIB norte-coreano ficou em 26,6 bilhões de dólares, pouco mais de 145 bilhões de reais.
O regime de Kim Jong-un depende quase inteiramente da China para o comércio exterior. Dados de um think tank com base em Washington indicam que até 95% do comércio total e 85% das exportações passam pelo país vizinho. Importações vêm principalmente da China.
Em 2024, as importações legais da Coreia do Norte somaram 2,33 bilhões de dólares, ou 12,7 bilhões de reais. Além de petróleo, o conjunto de remessas chinesas inclui alimentos, têxteis, máquinas, eletrônicos e veículos.
Papel da China
A dependência confere a Pequim influência significativa sobre Pyongyang. Washington já sinalizou interesse em usar esse poder para reabrir negociações sobre o programa nuclear norte-coreano. Xi Jinping ainda não confirmou visita a Pyongyang, conforme apuração recente.
A Reuters e a Yonhap destacam que a China atua como principal parceira comercial, com boa parte das importações norte-coreanas chegando do gigante asiático. A produção doméstica é limitada, e o comércio externo é uma fração pequena do PIB.
Exportações norte-coreanas
Segundo a Kotra, as exportações somaram pouco abaixo de 360 milhões de dólares em 2024. Cabelos artificial e perucas respondem por cerca de 40% das exportações, direcionadas principalmente à China, que as redistribui a outros mercados.
A produção de perucas surgiu após sanções da ONU em 2017 que frearam carvão e minerais. O cabelo sintético não foi alvo de proibição específica, o que abriu essa alternativa de divisas.
Outros itens exportados, como tungstênio, peixe congelado, ferro, aço e componentes de relógios, representam menos de 10% cada um. A Coreia do Norte perdeu, com sanções, cerca de 2,2 bilhões de dólares por ano em receitas de exportação desde então.
Economia paralela
Além do comércio restrito, Pyongyang obtém receitas com uma economia paralela maior. O país envia dezenas de milhares de trabalhadores ao exterior, especialmente para Rússia e China, atuando em construção, madeira, fábricas e pesca. O Estado reteem a maior parte dos salários, estimando-se 500 milhões de dólares por ano.
Profissionais norte-coreanos de TI também trabalham remotamente para empresas estrangeiras, fingindo ser freelancers. Os ganhos são repassados ao governo, com remessas totais de cerca de 800 milhões de dólares em 2024.
Programas de hackers
A Coreia do Norte mantém um programa de hackers considerado entre os mais lucrativos do mundo. Em 2023-2024, criminosos norte-coreanos teriam roubado cerca de 2 bilhões de dólares em criptomoedas, segundo a Chainalysis, representando parte relevante de roubos globais.
O financiamento externo é fortemente impulsionado pela guerra na Ucrânia e pela cooperação com a Rússia. Autoridades sul-coreanas estimam que Pyongyang forneceu milhões de projéteis, foguetes e mísseis para Moscou desde 2023.
Uso dos recursos
As receitas de venda de armas e de serviços digitais são usadas para manter o programa nuclear e de mísseis, além de assegurar compras de petróleo e alimentos da China. As estimativas da inteligência sul-coreana apontam entre 7 bilhões e 13,8 bilhões de dólares gerados por esse fluxo desde 2023.
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