- Cumaná enfrenta escassez de água potável, apagões diários e poços poluídos, com moradores recorrendo a caminhões-pipa e filas por água.
- A economia local está devastada: indústrias fechadas ou operando precariamente, incluindo a fábrica da Toyota, em meio a estatizações e perda de capital privado.
- A infraestrutura pública perdeu valor: universidade do Oriente saqueada, biblioteca queimada e escolas sem água para saneamento.
- O custo da água aumentou com o racionamento e inflação, levando a preços elevados nos galões de água e dependência de subsídios do governo.
- A cidade, que já foi polo industrial da região, vive crise prolongada sob regime centralizado, refletida em protestos, repressão e queda de prestação de serviços básicos.
A cidade leste da Venezuela, Cumaná, mostra um retrato da decadência industrial que acompanha o país há anos. Ruas vazias, fábricas fechadas e serviços básicos em colapso evidenciam uma economia estagnada fora de Caracas. A água é rara, os apagões são frequentes e a população enfrenta racionamento rígido.
Moradores relatam vida com água precária e cortes de luz que se estendem por horas. Oficiais de saúde e escolas sofrem com a falta de saneamento, impactando principalmente comunidades periféricas e assentamentos informais. A cidade, antes polo pesqueiro, vive hoje sob restrições diárias.
Declínio industrial e impacto local
Cumaná já foi referência na indústria pesqueira e na produção de conservas, com estaleiros e uma unidade da Toyota que fabricava Land Cruisers. Expropriações e crise econômica ajudaram a reduzir o complexo industrial, deixando fornecedores locais sem capital e empregos.
A produção estagnou, garantindo ao governo o papel de prover serviços básicos. O resultado é uma rede de fornecedores que encolhe ao lado de fábricas que operam de forma intermitente ou fecham as portas. A economia local depende do governo para água, alimentação e energia.
Crise hídrica e educação sob pressão
Em fevereiro, um deslizamento de rochas no reservatório de água provocou o colapso de parte do sistema em Cumaná. O racionamento rígido se tornou regra, com caminhões-pipa públicos e, quando não chegam, veículos particulares aumentam o custo da água.
O preço de um galão de 20 litros chegou a US$ 8, enquanto escolas suspenderam aulas por falta de água. Assentados informais relatam medo de retaliação de lideranças locais que controlam subsídios e recursos de alimentação.
Educação em ruínas e memória industrial
O campus da Universidade do Oriente, fundado em 1958, mantém ruínas de um passado de pesquisa marinha. O saque frequente de cabos, tomadas e equipamentos, além de incêndios na biblioteca, deixou o espaço com apenas cerca de 2.000 estudantes remanescentes em estruturas improvisadas.
Murais pró-governo e slogans destacam a presença de símbolos oficiais na cidade. Em meio ao apagão e à escassez, comunidades buscam soluções locais, enquanto a história de Cumaná revela a transformação de uma joia industrial em território marcado pela crise.
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