- Thomas Friedman, colunista do New York Times, participou do 14º Fórum de Lisboa e afirmou que a China quer “produzir tudo para todos” para que o mundo dependa dela, mas que a China não pode depender de ninguém, algo que não seria sustentável.
- O jornalista citou instabilidade interna na liderança chinesa, mencionando demissões de secretários de Defesa e de líderes militares, e usou a caricatura da parte superior do corpo de Popeye com a inferior de Olivia Palito para ilustrar assimetrias entre manufatura avançada e questões sociais.
- Em IA, Friedman disse que a tecnologia é a maior questão legal, ética e democrática atual, classifica-a como “nova espécie” e defende que só há solução se houver cooperação global, especialmente entre Estados Unidos e China.
- O palestrante apontou problemas de escala planetária — mudanças climáticas, armas, biológicas, imigração e cadeias de suprimentos — e mostrou que pequenos atos podem ter grande impacto, citando o Oriente Médio e questões entre EUA, Irã e Israel.
- O Fórum de Lisboa ocorre de 1º a 3 de junho na Universidade de Lisboa; este ano tem recorde de participantes (450) e um novo foco na globalização, com presença de autoridades brasileiras e apoio institucional da Presidência Portuguesa.
Thomas Friedman, colunista do New York Times e vencedor de três prêmios Pulitzer, participou do 14º Fórum de Lisboa nesta terça-feira, 2 de junho de 2026. O jornalista apresentou uma leitura sobre a estratégia da China e sobre o papel da inteligência artificial (IA) no cenário global. O evento ocorreu na Universidade de Lisboa, reunindo líderes, especialistas e representantes de instituições públicas e privadas.
Friedman afirmou que o governo chinês busca uma lógica de produção para o mundo inteiro, ao mesmo tempo em que pretende manter a dependência externa de terceiros apenas de forma superficial. Segundo ele, esse modelo não é sustentável e pode trazer consequências desfavoráveis para a China. O palestrante também mencionou mudanças no alto escalão militar do país, sugerindo que há movimentos internos que exigem monitoramento.
O debate abordou ainda o papel da IA como a principal questão legal, ética e democrática da atualidade. O palestrante classificou a IA como uma nova espécie tecnológica e ressaltou que o mundo precisa estabelecer regras compartilhadas para sua governança, com participação de grandes potências como China e Estados Unidos. Friedman destacou a necessidade de cooperação para enfrentar problemas de escala global, como mudanças climáticas, armas de possível uso destrutivo, imigração e cadeias de suprimento.
Além disso, o palestrante falou sobre a evolução da geopolítica associada à IA, enfatizando que cada avanço tecnológico tende a ampliar a interconectividade entre nações. Apontou que a gestão responsável da IA requer acordos entre potências, especialmente entre EUA e China, para estabelecer princípios legais, éticos e morais na era digital. O tema foi discutido à luz de casos como o uso de plataformas de dados e a governança de informações entre países.
A organização do 14º Fórum de Lisboa destacou que o encontro, até então centrado na relação entre tecnologia e soberania, reforça a necessidade de uma ordem internacional mais ampla, com debates entre autoridades brasileiras e portuguesas. O evento contou com a participação de Andre Esteves, Gilmar Mendes e outros nomes de peso do setor financeiro, jurídico e público. O número de participantes bateu recorde, subindo de 360 em 2025 para 450 em 2026.
Além do tema central, o Fórum de Lisboa analisa, até o dia 3 de junho, impactos econômicos, democráticos e sociais de inovações tecnológicas. O tema escolhido para este ano foi a “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. A programação inclui palestras e painéis com especialistas de diversas áreas, ampliando o alcance internacional do evento.
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