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Governo aponta motivação política em nova tarifa contra o Brasil

Governo vê motivação política em tarifa dos EUA que pode atingir 20% a 25% das exportações brasileiras; consultas vão até 15 de julho

Trump e Lula em fotografia na Casa Branca
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  • Governo vê motivação política em nova tarifa contra o Brasil, destacando menção do USTR à decisão do STF sobre plataformas e multas a big techs.
  • USTR sugere tarifa de 25% sobre entre 20% e 25% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, com exceções para café, carne e aeronaves.
  • Setores mais atingidos seriam madeira, calçados, máquinas e equipamentos, conforme o governo.
  • Publicação é apenas recomendação; abre-se período de consultas públicas até 15 de julho, e a decisão final fica com o presidente Donald Trump.
  • No Palácio do Planalto há expectativa de usar a Seção 301 para pressão, com possibilidade de acordos em outros temas; Welber Barral afirma que é difícil recuar na tarifa de 25%, mas pode avançar nas exceções.

O governo brasileiro vê motivação política por trás de uma nova tarifa proposta pelo USTR, órgão do governo dos Estados Unidos. A recomendação aponta para a aplicação de 25% de tarifa sobre uma fatia entre 20% e 25% das exportações do Brasil para os EUA, em resposta a questões alegadas de tratamento por parte do Brasil.

A proposta surge após decisões do STF que responsabilizam plataformas digitais, multam big techs e suspendem perfis em redes sociais. O governo americano indicou que a tarifa seria um instrumento para forçar um acordo comercial com o Brasil, segundo analistas de Brasília.

Detalhes da proposta

A lista de exceções é extensa e inclui principalmente produtos alimentícios, como café e carne, além de aeronaves, que não sofreriam tarifas. Os setores mais impactados estariam em madeira, calçados, máquinas e equipamentos, repetindo o perfil da rodada anterior.

A publicação é, neste momento, apenas uma recomendação do USTR. O período de consultas públicas fica aberto até 15 de julho, permitindo participação do setor privado. Ao final, a decisão cabe ao presidente Donald Trump.

Perspectivas e negociações

No governo, a leitura é de uso da seção 301 da Lei de Comércio de 1974 como pressão para um acordo com o Brasil. Um assessor disse que é improvável imaginar big techs sem responsabilidade civil, ou redes de pagamentos sem ajustes, caso o pacto não evolua.

Entretanto, há espaço para que o governo americano ceda em outros pontos. A cobrança de mudanças na proposta ainda pode abrir caminho para acordos em temas distintos, conforme a fonte da assessoria.

Visão de especialistas

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, ao Mercado Aberto, avalia que retroceder no mérito da tarifa de 25% é improvável. Ele aponta que a negociação pode avançar nas exceções, ao menos em partes, para mitigar impactos setoriais.

A nova temporada de negociações tarifárias está aberta. Diante do histórico de intensificação de ações do governo Trump, o cenário segue incerto e sujeito a mudanças conforme as conversas avancem.

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