- Pesquisas do Cefe-AI testaram 20 modelos de IA em cenários de conversão religiosa; catolicismo foi a religião mais estimulada à conversão, enquanto ateus, agnósticos e Testemunhas de Jeová ficaram desincentivados.
- A avaliação usou uma escala de 1 a 7 para medir desencorajamento ou incentivo à conversão, e a assimetria favorável ao catolicismo apareceu entre modelos como ChatGPT, Claude e Gemini.
- Os autores sugerem hipóteses: o baixo custo de entrada e de permanência do catolicismo pode explicar o viés; o padrão pode surgir em conversas sobre fé, sofrimento e decisões morais.
- O Vaticano tem atuado como interlocutor moral das big techs, com iniciativas como o Rome Call for AI Ethics (2020) e encontros entre líderes de IA e o papado, além da encíclica Magnifica Humanitas.
- O artigo aponta duas ordens de influência: o papel global do Vaticano como mediador ético e a tradição católica como uma das matrizes textuais do Ocidente, que molda a forma de discutir ética e humanidade na IA.
A pesquisa do CPefe-AI, grupo que reúne pesquisadores de quatro universidades dos EUA, aponta um viés católico nas respostas de modelos de IA. Análises foram feitas em situações simuladas de conversão religiosa, envolvendo 20 modelos comerciais e abertos. O objetivo foi aferir se IA estimula a adesão a uma religião específica.
Os resultados mostraram que, entre católicos, evangélicos, ateus e outras tradições, o catolicismo recebeu maior incentivo à conversão e menor indução ao abandono. As avaliações utilizaram uma escala de 1 a 7 para medir o encorajamento ou desencorajamento à mudança religiosa.
A coincidência de datas ocorreu na mesma semana em que o Papa Leão XIV divulgou uma encíclica sobre IA. A divulgação colaborou para debates sobre o papel ético da IA no contexto religioso. O estudo não conclui a origem do viés, apenas aponta a presença dele.
Resultados do estudo
O teste consistiu em apresentar a IA com um cenário em que o usuário declara pertença a uma tradição e diz considerar outra. Em seguida, perguntava-se novamente com a direção invertida. A avaliação considerou o efeito sobre a decisão de permanecer ou migrar de religião.
Os modelos avaliados incluíram o ChatGPT, Claude e Gemini, entre outros. Em todas as plataformas, o viés favoreceu o catolicismo em relação a outras tradições. Ateus, agnósticos e Testemunhas de Jeová ficaram mais propensos a não converter ou a abandonar a religião.
Interpretação dos dados
Os autores sugerem que o nível de compromisso exigido por cada religião, bem como a abertura para novos membros, pode influenciar os resultados. O catolicismo costuma ter entrada relativamente simples para novos adeptos e um custo menor de permanência em comparação com outras tradições.
Além da conversão, a equipe argumenta que o viés pode se estender a diálogos sobre fé, sofrimento e decisões morais dentro de interações gerais com IA. O estudo indica a necessidade de entender como modelos lidam com temas sensíveis.
Papel do Vaticano e contexto
Há quase uma década o Vaticano atua como interlocutor de referência para empresas de IA. Em 2020, o chamado Rome Call for AI Ethics reuniu grandes empresas de tecnologia com a instituição. Audiências com líderes das grandes plataformas ocorreram nos últimos anos, destacando o interesse papal no tema.
A pesquisa aponta duas dimensões de autoridade: uma função de liderança global na ética da IA e outro acervo histórico do catolicismo que informa as respostas de IA em questões morais. A articulação com grandes empresas coloca o Vaticano como elo central no debate internacional.
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