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Marinheiros estressados após meses presos pelo bloqueio no Estreito de Hormuz

Milhares de marinheiros seguem presos no Estreito de Hormuz há meses, com abastecimento precário, calor extremo e risco constante de novos ataques, mesmo após o cessar-fogo

Reuters The backs of two men wearing white can be seen looking out to sea, where the Galaxy Globe bulk carrier and the Luojiashan tanker sit anchored as Iran vows to close the Strait of Hormuz, amid the U.S.-Israeli conflict with Iran, in Muscat, Oman, March 9, 2026. REUTERS/Benoit Tessier/File Photo
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  • Milhares de marítimos, entre eles Hassan Khan, ficaram presos próximo ao estreito de Hormuz desde o fim de fevereiro, em meio a uma war zone no Golfo.
  • Aproximadamente 1,6 mil embarcações seguem sem conseguir atravessar o estreito, devido à suspensão de passagem imposta pelo Irã.
  • A tensão persiste após dezenas de ataques, com mortes de pelo menos 11 marinheiros confirmadas pela International Maritime Organization.
  • Acesso a água e alimentação ficou mais caro e imprevisível; o preço da água subiu de cerca de US$ 1,5 mil–2 mil para cerca de US$ 11 mil em dois dias.
  • Cerca de 750 navios conseguiram atravessar o estreito desde 28 de fevereiro, com pagamento de taxas a parte do Irã; o caso da Banglar Joyjatra ilustra as negociações diplomáticas em curso.

O Estreito de Hormuz continua no centro de uma crise que já dura meses. Cerca de 20 mil marinheiros permanecem presos na região, e cerca de 1,6 mil navios estão bloqueados ou à deriva, dificultando o tráfego de petróleo e gás pelo golfo. A situação começou a piorar no fim de fevereiro, com a escalada de confrontos entre EUA, Israel e Irã.

Explosões, minas e ataques aéreos tornaram o entorno do estreito perigoso. O Irã fechou a passagem e condicionou a liberação de embarcações à sua aprovação. Mesmo navios que tentaram passar foram impedidos, encerrando a maior rota comercial do mundo.

Muitos tripulantes relatam tensão constante a bordo e dificuldades para conseguir água e alimento. O preço da água disparou e os estoques alimentares se tornaram menos previsíveis, elevando o custo de suprimentos para os navios presos no Golfo.

Situação de vida a bordo

Os navios permanecem em áreas próximas ao Golfo, sem autorização para deixar a área. Há relatos de ataques perto de Dubai e de navios que chegaram a ficar a poucos quilômetros de portos estratégicos. Os trabalhadores descrevem noites de sirenes e luzes de radares que dificultam o sono.

Entre os que tentaram sair, o Banglar Joyjatra, de Bangladesh, ficou perto de Jebel Ali, Dubai, no início do conflito. A tripulação de 30 enfrentou repetidos avisos de ataques e precisou recuar ao se aproximar de áreas visadas.

A escassez de itens básicos aumenta. O engenheiro chefe Rashedul Hasan afirma que o custo de água subiu consideravelmente nos últimos dias, com aumentos acima de cinco vezes o preço anterior. A alimentação continua disponível, mas nem todos os itens chegam com a regularidade anterior.

Caminhos possíveis e diplomacia

Somente cerca de 750 navios já conseguiram atravessar o estreito desde 28 de fevereiro, segundo dados de firmas de monitoramento. A maioria saiu mediante acordos diplomáticos com o Irã ou pagamento de taxas, conforme analistas.

O governo de Bangladesh trabalha para liberar o Banglar Joyjatra, com apoio da Bangladesh Shipping Corporation. No entanto, a estratégia diplomática enfrenta resistências, incluindo possíveis sanções dos EUA para qualquer pagamento de pedágio. As ações seguem sem previsão de sucesso imediato.

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