- A Acnur alertou que redução de recursos pode agravar as condições de cerca de 1,2 milhão de refugiados rohingyas em Bangladesh.
- Desde o início de 2024 chegaram cerca de 150 mil rohingyas fugindo da violência em Mianmar, elevando a pressão sobre a ajuda humanitária.
- Estados Unidos e alguns países europeus reduziram o financiamento à assistência internacional nos últimos anos.
- Um apelo de US$ 710,5 milhões, feito pela ONU e pelo governo de Bangladesh, está 60% financiado e já representa 26% menos do que no ano anterior.
- A situação nos campos permanece precária, com superlotação, risco de eventos climáticos, doenças e acesso limitado a serviços, enquanto o retorno seguro a Mianmar permanece improvável.
O Acnur alertou nesta terça-feira que cortes no financiamento podem agravar a crise dos rohingyas em Bangladesh. Cerca de 1,2 milhão de refugiados podem sofrer com a redução de recursos, em meio a uma fuga que já completa quase nove anos.
A organização aponta dificuldades crescentes para manter serviços básicos em Bangladesh, onde a maioria vive em campos superlotados. A pressão econômica ocorre em meio a crises globais e a cortes de doadores.
Desde o início de 2024, aproximadamente 150 mil rohingyas chegaram a Bangladesh, fugindo de violência em Mianmar. Estados Unidos e alguns países europeus reduziram o apoio financeiro à ajuda internacional nos últimos anos.
Finanças em queda
No mês passado, ONU e governo de Bangladesh apresentaram um apelo de US$ 710,5 milhões para alimentar, abrigar e proteger refugiados. O montante é 26% menor que o do ano anterior e apenas cerca de 60% já foi assegurado.
A Life nos campos continua marcada por riscos climáticos, doenças e insegurança. O acesso a educação e trabalho é limitado, aumentando a dependência da assistência humanitária.
As perspectivas de retorno seguro a Mianmar permanecem remotas. Muitas pessoas tentam travessias marítimas perigosas para a Malásia ou Indonésia, com quase 900 mortes ou desaparecimentos em 2025, segundo dados da Acnur.
Mohammed Jashim, refugiado de 35 anos, pai de três, relata sofrimento diário e a falta de um futuro claro no território bangladeshiano. A Acnur pede que doadores mantenham o financiamento até um retorno seguro ser possível.
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