- A Polícia Federal deflagrou a Operação Narco Sky, com a prisão de dez suspeitos, e apontou uma organização ligada ao Primeiro Comando da Capital e à máfia italiana ‘Ndrangheta, comandada pelo mafioso sérvio Antun Mrdeza, como líder financeiro.
- O esquema era dividido em três núcleos: financiamento e decisões estratégicas no exterior, logística no Brasil e células operacionais responsáveis por preparo, armazenamento e transporte da cocaína.
- Ao todo, são sete missões marítimas para levar cocaína do Brasil à Europa, com ações destacadas em Venezia, Panorea, Las Palmas, Mobydick, Praia do Góes, Adrienne e Barbara.
- Exemplos de operações: envio de cerca de trezentos a trezentos e quarenta quilos na embarcação Venezia; tentativa frustrada de embarque de meia tonelada em Panorea; apreensão de quatorze quilos em Las Palmas; e uso do veleiro Mobydick para transportar cocaína associada ao grupo, em ligação com Mrdeza.
- Entre os principais envolvidos aparecem Marco Aurélio de Souza, o Lelinho; Pedro Alonso Camacho Fernandez, o Vince; Alejandro Salgado Vega, o Tigre; Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra, o Sapão; além de Antun Mrdeza e outros operadores ligados ao PCC.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Narco Sky nesta terça-feira, 2, para desmantelar uma organização criminosa ligada ao PCC que operava remessas internacionais de cocaína. A investigação aponta sete missões marítimas que buscavam enviar droga do Brasil à Europa, sob o comando de líderes internacionais do tráfico, incluindo o mafioso sérvio Antun Mrdeza, apontado como integrante da ‘Ndrangheta.
A PF descreve o esquema como de alta envergadura, com divisão em três núcleos: financiamento e decisões estratégicas no exterior, logística no Brasil e operações de preparo, armazenamento e transporte da cocaína. Ao todo, dez suspeitos foram presos preventivamente, entre eles Mrdeza, conhecido como Nikola Boros.
A partir de dados telemáticos obtidos por cooperação internacional, a PF mapeou a estrutura e as operações, identificando os principais integrantes e as rotas usadas para deslocar cocaína até a Europa. As informações foram analisadas pela perícia da corporação em São Paulo.
Venezia e Panorea
Em 30 de agosto de 2020, cerca de 340 quilos de cocaína foram embarcados no navio Venezia, no porto de Rio Grande, RS. O grupo monitorou a carga em tempo real. Lelinho coordenou a logística a partir de São Paulo, com apoio de Vince, responsável por sinalizar chegada da droga. Ambos tiveram mandados de prisão expedidos.
A operação também envolveu o cargueiro Panorea, em março de 2020, com intenção de embarcar 500 quilos. A contaminação ocorreu em Paranaguá e Santos, com carga efetiva de cerca de 80 quilos. A PF aponta Lelinho como articulador da rede em terra e da aproximação de embarcações.
Las Palmas e Mobydick
Em maio de 2020, cerca de 14 quilos foram ocultados no contêiner de um carregamento enviado a Las Palmas, na Espanha. A detecção ocorreu durante inspeção alfandegária, levando à tentativa de retirada da cocaína. A operação envolveu Lelinho na coordenação terrestre.
O veleiro Mobydick, utilizado para transportar cocaína até Las Palmas, estava sob comando do mafioso Antun Mrdeza, hoje preso na Venezuela. A PF indica que a rede utilizou planejamento logístico, com suporte de um grupo em terra liderado por Lelinho e outros operacionais.
Adrienne e Barbara
Na Itália, o navio Adrienne foi alvo de uma tentativa de resgate de 175 quilos, com coordenação de Vince na Europa. Um grupo específico na plataforma SKY ECC acompanhou a operação, com participação de Tigre e Mrdeza. A carga foi localizada e apreendida em Ancona, totalizando 216,68 quilos.
O chamado Evento Barbara repetiu o modelo de inserção e posterior resgate no mar. A operação envolveu Vince e Fisherman, com supervisão de Tigre. Após o incidente em Ancona, navegadores lançaram bolsas com cocaína ao mar, mas a carga não foi recuperada.
Praia do Góes e conclusão
Em julho de 2020, 321 quilos foram apreendidos na Praia do Góes, no Guarujá, em um entreposto utilizado pela quadrilha. Lelinho estaria diretamente ligado à gestão de estoque e segurança da droga no Brasil, com participação de Waltinho e Klaus de Castro Rios Motta Silva na retirada de parte da carga.
A investigação aponta ainda que parte da cocaína do entreposto no Guarujá pertencia a diferentes membros da cúpula, entre eles Mrdeza e Tigre. A operação demonstrou capacidade transnacional de monitorar cargas e coordenar ações de retirada e ocultação de entorpecentes.
Conclusão da operação
A Narco Sky envolve uma rede criminosa com atuação coordenada entre Brasil e Europa, baseada em trilhas marítimas e logísticas sofisticadas. A PF afirma que o caso revela um comando estruturado, com controle remoto de cargas, uso de criptografia e cooperação internacional para facilitar o tráfico de cocaína.
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