- Zelenski concedeu à unidade especial das Forças Armadas ucranianas o título honorífico de “Heróis do UPA”, em memória à organização nacionalista da Segunda Guerra Mundial.
- Um dia antes, os restos mortais de Andriy Melnyk e de sua esposa foram enterrados em Kiev, em cerimônia presidida por Zelenski, após traslado de Luxemburgo.
- A decisão provocou indignação na Polônia, com o presidente polonês Karol Nawrocki defendendo a retirada da Ordem da Águia Branca e criticando a glorificação do UPA.
- O primeiro-ministro Donald Tusk tentou conter os danos, dizendo que cada país interpreta seu passado, enquanto Nawrocki ainda não visitou Kiev; Zelenski foi recebido em Varsóvia em 2025.
- A tensão reflete antigas disputas históricas entre Polônia e Ucrânia, especialmente pelos massacres de civis poloneses atribuídos ao UPA; a situação ocorre próximo à Conferência de Reconstrução da Ucrânia, em Gdańsk.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, concedeu à uma unidade especial das Forças Armadas o título honorífico de “Heróis do UPA”, em 26 de maio de 2026. A decisão alegou restauração de tradições históricas das Forças Armadas nacionais.
No dia anterior, os restos mortais de Andriy Melnyk, líder do UPA, e de sua esposa foram sepultados em Kiev, em cerimônia presidida por Zelenski, após traslado vindo de Luxemburgo. A cerimônia ocorreu no cemitério militar da capital.
APolônia reagiu com indignação, dizendo que a homenagem glorifica crimes contra civis poloneses durante a Segunda Guerra Mundial. O tema reacende tensões históricas entre os dois aliados da Ucrânia na guerra contra a Rússia.
Reação oficial na Polônia
O presidente polonês Karol Nawrocki criticou a decisão, afirmando que a Ucrânia não demonstra estar pronta para a “família europeia” ao enaltecer figuras associadas a crimes contra mulheres e crianças polonesas. Ele informou que analisará a retirada da condecoração.
O governo polonês destacou que cada país interpreta seu passado, mas ressaltou a sensibilidade histórica. O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia garantiu que a concessão não mira a Polônia, descrevendo o UPA como resistência anti-M Moscow.
Contexto histórico
O UPA atuou em 1941-1945 com o objetivo de um Estado ucraniano independente, em algumas fases colaborando com a Alemanha nazista. Entre os episódios controversos estão massacres na Volínia e na Galícia Oriental, alvo de críticas polonesas.
Mesmo após 1945, o UPA permaneceu ativo na luta contra a sovietização. A relação entre Polônia e Ucrânia foi marcada por conflitos históricos, incluindo disputas territoriais após o fim da Primeira Guerra Mundial.
Tendências políticas e impactos
O primeiro-ministro polonês Donald Tusk pediu contenção das tensões, advertindo que confrontos sobre o passado não devem definir o futuro. A oposição interna em Varsóvia ganhou destaque com críticas à postura de Zelenski.
Alguns integrantes da coalizão pró-europeia defenderam firmeza, porém sem agressões. A conjuntura ocorre dias antes da 5ª Conferência de Reconstrução da Ucrânia, em Gdansk, onde o tema é central para parcerias internacionais.
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