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Imigrantes queimados vivos na Calábria expõem escravidão ligada à máfia

Caso na Calábria reacende debate sobre caporalato e escravidão moderna ligada à máfia, após imigrantes serem queimados vivos dentro de veículo

No sul da Itália, nos campos de frutas e hortaliças, os fazendeiros dependem cada vez mais da mão de obra estrangeira (foto ilustrativa).
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  • Em 1º de junho de 2026, em Corigliano-Rossano, Calábria, quatro trabalhadores agrícolas imigrantes (três afegãos e um paquistanês) foram queimados vivos dentro de um carro; dois suspeitos paquistaneses, identificados como caporalis, foram presos.
  • O ataque incluiu bloqueio das portas, despejo de gasolina no interior e fogo com isqueiro; um sobrevivente afegão conseguiu escapar por uma janela e a identificação contou com imagens de câmeras de um posto de gasolina.
  • O motivo parece ter sido cobrança de custos de transporte pelos intermediários para chegar às fazendas, valor que as vítimas não conseguiam pagar devido aos salários baixos e irregulares.
  • O sistema de caporalato é visto como forma de escravidão moderna ligada à máfia; o sindicato CGIL aponta que cerca de 70% dos trabalhadores da agricultura nessas condições trabalham sem contrato formal; a lei de 2025 prevê punição, mas faltam fiscais para fiscalização, com necessidade de pelo menos 6 mil agentes adicionais.
  • A exploração não ocorre apenas no sul; estende-se a setores como logística, indústria têxtil e construção, incluindo um caso recente em Milão de um dirigente de construção acusado de empregar clandestinos indianos em obras do novo consulado americano, com jornadas de 12 horas e pagamento de dois euros por hora.

Um caso brutal na Calábria, no sul da Itália, levou quatro trabalhadores agrícolas imigrantes a perderem a vida. O ataque ocorreu em Corigliano-Rossano no dia 1º de junho de 2026, quando as vítimas — três afegãos e um paquistanês — foram queimadas dentro de um veículo. Dois suspeitos paquistaneses foram presos, identificados como caporali, intermediários que controlam a mão de obra de forma abusiva.

Segundo investigação, os agressores teriam bloqueado as portas do carro, despejado gasolina no interior e ateado fogo com um isqueiro. A identificação dos suspeitos foi facilitada por imagens de câmeras de um posto de gasolina e pelo relato de um sobrevivente afegão, que escapou pulando por uma janela.

O sobrevivente informou que a violência decorreu de uma cobrança de dinheiro para cobrir custos de transporte até as fazendas, valor que as vítimas não podiam pagar por salários baixos e irregulares. O caso reacende o debate sobre o caporalato e a escravidão moderna.

Contexto do caporalato

O caporalato é descrito como forma de exploração em que intermediários recrutam trabalhadores, frequentemente com apoio de organizações mafiosas. O sindicato CGIL aponta que cerca de 70% dos operários agrícolas nessas condições trabalham sem contrato formal.

Inspeção e alcance

Apesar de lei aprovada em 2025, prevendo prisão de até seis anos e confisco de bens para exploradores, a aplicação enfrenta desafios logísticos. Itália precisa de pelo menos 6 mil inspetores do trabalho adicionais para fiscalizar propriedades.

Extensão do problema

A exploração não se restringe a campos de frutas e verduras no sul. Setores como logística, têxtil e construção civil também registram casos, inclusive em regiões mais desenvolvidas do norte e centro do país.

Casos recentes na prática

Em Milão, a justiça investiga um dirigente de construção que supostamente empregava clandestinamente centenas de trabalhadores indianos nas obras do novo consulado americano. Segundo o Ministério Público, as jornadas chegavam a 12 horas diárias, com pagamento de cerca de dois euros por hora.

Fonte básica: informações oficiais de investigações e relatos de sindicatos, sem textos adicionais.

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