- A CMA do Reino Unido determinou que o Google ofereça aos donos de sites a opção de impedir que conteúdos sejam usados nos Resumos de IA e em outras experiências com Gemini, sem alterar o posicionamento tradicional na busca.
- A decisão, a primeira nesse formato, prevê também links claros para as fontes originais nos resultados gerados pela IA.
- O Google informou que quem optar por não aparecer nas respostas de IA não será punido no ranqueamento tradicional; um novo comando no Search Console permitirá gerenciar a entrada de conteúdos nas experiências de IA.
- Os novos controles para o Reino Unido foram anunciados em março, como parte de regras de conduta para big tech e busca, visando facilitar acordos entre imprensa e plataformas.
- No Brasil, o Cade investiga o uso de notícias pelo Google desde 2019, com foco nos Resumos de IA e na possível queda de tráfego e monetização para veículos de imprensa.
Pouco tempo após reafirmar a integração do Gemini com a busca, o Google encara novos entraves. A CMA do Reino Unido determinou que a empresa ofereça aos donos de sites informativos uma forma de impedir o uso de conteúdos nos Resumos de IA e em outras experiências com Gemini. A decisão é a primeira do tipo a permitir ferramentas contra raspagem de dados por IA.
A medida faz parte de novas regras de conduta para a big tech e visa dar mais poder à imprensa sobre como as páginas são utilizadas pelo buscador. A CMA afirma que a regra equilibra a relação entre o Google e veículos de imprensa, fortalecendo a posição de negociação sobre conteúdos. No Brasil, editoras cobram regras semelhantes do Cade.
Google já iniciou a implementação de mudanças, incluindo a opção de exclusão (opt-out) e a obrigação de que conteúdos usados nas respostas de IA tenham links claros para as fontes originais. A empresa afirma que sites que optarem por não aparecer nas respostas de IA não serão punidos no ranqueamento tradicional.
Segundo a gigante das buscas, a ausência de presença nas respostas de IA, como nos Resumos de IA, Modo IA e prévias no Discover, não deve afetar o ranqueamento geral. A etiqueta nosnippet, que permite bloquear conteúdos nos resumos de IA, também poderia impactar a exibição na busca tradicional, o que foi alvo de críticas da imprensa britânica.
Para facilitar o controle, o Google lançou um novo comando no Search Console. A ferramenta permitirá que administradores gerenciem como conteúdos entram nas experiências de busca com IA e também oferecerá métricas sobre a aparição de informações do veículo nas respostas de IA, segundo a empresa.
Os novos controles para o Reino Unido foram anunciados em março, após consulta pública iniciada em janeiro pela CMA, ainda que recebidos com ressalvas pela empresa. A expectativa era frear novas regras, mas a iniciativa persistiu.
No Brasil, o Cade segue investigando o uso de conteúdos de veículos de imprensa pelo Google. O órgão analisa uma relação que começou em 2019, voltada à indexação de notícias, e foi reaberta no ano passado com foco nos Resumos de IA. Associações jornalísticas dizem que a ferramenta aumenta o poder do Google e pode reduzir visitas e monetização.
A demanda brasileira inclui a ausência de uma opção de opt-out, aponta a queixa, o que impediria aos veículos bloquear o uso de conteúdos sem comprometer a presença nos resultados gerais. Em abril, o Cade formalizou o processo contra o Google, após sete anos de investigações, com fortes indícios de abuso de posição dominante, segundo o presidente interino Diogo Thomson.
Anteriormente, o Google negou que os Resumos de IA prejudiquem o jornalismo e pediu o arquivamento do processo, alegando que quedas de audiência não seriam causadas pela IA, mas por mudanças no comportamento de consumo de notícias.
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