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Bloqueio na Bolívia agrava crise alimentar e ameaça hospitais

Bloqueios e greve na Bolívia elevam preços de alimentos e ameaçam oxigênio e suprimentos hospitalares, agravando crise de alimentação

Graciela Cancari, comerciante de El Alto, teve prejuízo ao não conseguir vender tangerinas
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  • Protestos que começaram no dia 1º de maio mantêm bloqueios em sete dos nove departamentos, provocando escassez de alimentos e aumento generalizado de preços.
  • Em El Alto e La Paz, famílias enfrentam dificuldade para comprar itens básicos; muitos reduzem a quantidade e a variedade de alimentos.
  • A saúde está sob pressão: sete hospitais de nível terciário do departamento de La Paz têm reservas de oxigênio críticas; no Hospital Norte de El Alto, ficaria sem oxigênio se não fosse a compra de 30 cilindros.
  • Preços de alimentos subiram significativamente: carne, verduras e frutas ficaram muito mais caros, com impactos graves para famílias e para quem depende de benefícios sociais.
  • A gasolina também é alvo de longas filas; motoristas montam barracas para vender serviços na espera, enquanto a chegada de novo fornecimento é incerta.

Na Bolívia, bloqueios de estradas iniciados no dia 1º de maio agravam a crise alimentar e colocam em risco serviços de saúde. Em El Alto e La Paz, comunidades enfrentam desabastecimento de alimentos, medicamentos e combustível devido a uma greve nacional liderada por organizações ligadas ao ex-presidente Evo Morales.

A paralisação mantém cerca de 90 pontos de bloqueio em sete dos nove departamentos, reduzindo fretes e interrompendo entradas de itens essenciais. Famílias enfrentam inflação, com alimentos básicos ficando cada vez mais caros e difíceis de adquirir.

Graciela Cancari, vendedora de El Alto, viu seu negócio sofrer com a queda de vendas. Sem transporte público, ela desloca-se com a filha em um carrinho, levando mercadorias para a barraca de frutas e registrando prejuízos com a queda de demanda.

Reina López, moradora de El Alto, aponta que o abastecimento encolheu e os preços subiram. Um frango inteiro passa de 100 a 120 bolivianos, e o quilo de carne bovina atinge 120 bolivianos, quase o dobro do valor anterior aos bloqueios.

Os preços de vegetais sobem de forma acentuada: tomates passaram de 2-3 bolivianos para 10, e cenouras subiram de 8-12 para 35-40 bolivianos por pacote. Em mercados como Rodríguez, a variação é evidente e reduz a variedade disponível.

Muitas famílias já reduzem o consumo de itens alimentares, buscando meios de estender o que têm. Posições de descontos não cobrem os aumentos, dificultando a alimentação regular de crianças em casas afetadas pelos bloqueios.

Na área da saúde, a falta de transporte adequado compromete a reposição de oxigênio. O Hospital Norte de El Alto esteve perto de ficar sem oxigênio líquido na segunda-feira, mas acionou negociações entre o governo regional e o Ministério da Saúde para adquirir 30 cilindros, suficientes por três dias.

Segundo o Serviço Departamental de Saúde, sete hospitais de La Paz enfrentam reservas críticas de oxigênio líquido. A depender do transporte aéreo de insumos, a situação de pacientes em UTIs pode se agravar, agravando a vulnerabilidade no atendimento.

Além disso, o abastecimento de medicamentos sofre com a elevação de preços e a dificuldade de reposição. Pacientes precisam adquirir itens em farmácias privadas, aumentando o custo do tratamento.

Diante da demanda, filas para gasolina se alongam por quarteirões. Motoristas, como entregadores, montam barracas na frente de postos para reduzir perdas de renda, com períodos de espera que chegam a dois dias.

Nessa realidade, o fornecimento de combustível permanece irregular. A última remessa não contemplou o volume típico de 24 mil litros, segundo relatos de motoristas. A expectativa é de que novas entregas demorem a chegar.

O conjunto de fatores – bloqueios, inflação de alimentos, desabastecimento de saúde e combustível – evidencia uma crise humanitária que afeta especialmente famílias com crianças e adultos sem renda estável. Autoridades reconhecem o desafio, reiterando a necessidade de diálogo e de soluções rápidas.

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