- Rússia e o regime talibã assinaram, em 27 de maio, um acordo de cooperação técnico-militar para reparo de armas da era soviética, com presença de Sergei Shoigu e do ministro da Defesa talibã; o conteúdo completo não foi divulgado.
- Ao voltar a Cabul, o ministro Yaqoob afirmou que o acordo entrará em vigor em breve e que, uma vez implementado, o Paquistão não ousaria mais atacar o Afeganistão.
- O entendimento não é um pacto de defesa; concentra-se na reparação e manutenção de equipamentos de fabricação russa já em uso, como helicópteros e outras aeronaves.
- A relação é descrita como pragmática, com Moscou buscando manter a região sob um arranjo de segurança não ocidental e o Talibã buscando legitimidade regional e benefícios econômicos.
- Analistas destacam que o acordo pode servir aos interesses de ambos em um contexto de tensões regionais, apesar da falta de transparência sobre os termos.
O governo russo e o regime talibã assinaram um acordo técnico-militar para reparo de armas soviéticas, em 27 de maio, na capital afegã, Cabul. O acerto envolve manutenção de sistemas de defesa já existentes no arsenal do Afeganistão. O teor completo não foi divulgado.
O acordo foi assinado em cerimônia com a presença de Sergei Shoigu, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, e do ministro da Defesa talibã, mulá Mohammad Yaqoob. O objetivo declarado é a reparação de patrimônio militar herdado da era soviética.
Yaqoob, ao retornar a Cabul, afirmou que o pacto entrará em vigor em breve e que, uma vez implementado, poderá alterar a dinâmica com o Paquistão. O grupo afirmou que o entendimento não cria responsabilidade de defesa ou segurança.
O Afeganistão retomou o controle do país em 2021, após a retirada de tropas da OTAN e dos EUA. Hoje, o governo é reconhecido formalmente pela Rússia, enquanto outros países mantêm posições mais cautelosas sobre a legitimidade do regime.
Contexto histórico
A relação entre Moscou e o Afeganistão está atravessada por memórias da invasão soviética, encerrada em 1989. Equipamentos de defesa herdados ainda aparecem no arsenal afegão, incluindo helicópteros e aeronaves de fabricação russa.
Analistas ressaltam que o acordo pode ter dimensões políticas além de o reparo técnico, com Moscou buscando manter influência regional diante de tensões ocidentais. Ha a perspectiva de uso estratégico do acordo como demonstração de cooperação.
Interesses em jogo
Abas Basir, ex-ministro deposto pelo Talibã, descreve o vínculo como pragmático, orientado por interesses mútuos. O Talibã vê potencial para legitimidade regional e ajuda econômica, enquanto a Rússia busca garantir segurança na região.
Besmillah Taban, analista, alerta que ainda é cedo para avaliar o conteúdo do acordo, dada a falta de transparência. Observa também uso político da visita por parte do Talibã para melhorar imagem interna.
Ghaus Janbaz, ex-diplomata afegão, afirma que o tratado envolve cooperação militar e técnica, com dimensão política relevante. O analista destaca que a região permanece sensível aos movimentos entre potências e conflitos locais.
Perspectivas futuras
Analistas apontam que o foco russo no Afeganistão é a segurança regional e o controle de fluxos ilícitos pela Ásia Central. A presença econômica de Moscou continua limitada, sugerindo compromisso de curto a médio prazo.
Para o Talibã, o acordo pode facilitar acesso a assistência técnica e a manutenção de equipamentos, diante de pressões de aliados e adversários. O cenário depende de desdobramentos regionais, incluindo relações com o Paquistão.
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