- A Comissão Europeia lançou um plano de soberania tecnológica para reduzir a dependência da Europa em chips, nuvem, IA e código aberto, incluindo a Lei de Desenvolvimento de Nuvem e IA que busca barrar provedores de nuvem americanos em licitações públicas de dados críticos.
- O pacote aponta para reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras, inclusive por meio de negociações sobre acesso ao Mythos, modelo de IA da Anthropic usado para detectar falhas de segurança, com questões sobre quanta infraestrutura europeia a ferramenta veria.
- No âmbito militar, a Rússia realizou um ataque recorde à Ucrânia em 2 de junho; a interoperabilidade de sistemas europeus de defesa é discutida, com o SAMP/T NG como alternativa ao Patriot e a Dinamarca já migrando para o sistema europeu.
- A Noruega avalia revisar a decisão de não ingressar na União Europeia, citando mudança no entorno internacional e o papel de tarifas, energia e comércio como fatores para reconsiderar adesão.
- Frase da semana da OCDE ressalta a urgência de desvincular economias da dependência de combustíveis fósseis; no radar, destacam-se cúpula UE-Bálcãs Ocidentais, negociações Brasil-EUA sobre tarifas e questões de segurança no Oriente Médio e na Ucrânia.
A Comissão Europeia anunciou nesta quarta-feira um pacote de soberania tecnológica com foco em reduzir a dependência de chips, nuvem, IA e código aberto. A medida busca ampliar a capacidade de produção e controle estratégico no continente, em resposta a vulnerabilidades identificadas em setores críticos.
O conjunto de propostas inclui o desenvolvimento de infraestrutura própria e regras para compras públicas. A peça central é a Cloud and AI Development Act, que propõe restringir provedores de nuvem estrangeiros em licitações envolvendo dados sensíveis.
Outra frente envolve a cibersegurança: a UE negocia o acesso ao Mythos, modelo de IA da Anthropic, para detecção de falhas de segurança. A ferramenta ainda não atuaria fora dos EUA e do Reino Unido, e o acordo depende de balanço entre soberania e cooperação tecnológica.
Paralelamente, o cenário geopolítico segue tenso. Na madrugada de 2 de junho, a Rússia lançou ataque sobre a Ucrânia, com vítimas em Kiev e Dnipro. A batalha envolve interceptação de mísseis e sistemas como o PAC-3, de origem americana, utilizado pelo Patriot.
Na Europa, o sistema SAMP/T NG, de fabricação franco-italiana, é apontado como resposta ao esforço de defesa antiaérea, embora ainda não tenha sido testado em combate na versão atual. A Dinamarca já adotou o SAMP/T NG, abrindo caminho para reduzir dependência do sistema Patriot.
A UE sustenta que a soberania tecnológica não é protecionismo, mas concorrência justa. Contudo, há alertas de custos para a indústria europeia caso a adoção de IA seja freada em nome da autonomia. A Siemens, por exemplo, já criticou potenciais impactos negativos.
A pesquisa aponta déficits estruturais: a Europa produz menos de 10% dos semicondutores globais e quase não fabrica os mais avançados. O plano prevê triplicar a capacidade de data centers em cinco a sete anos, mas enfrenta desafios de energia, licenças e mão de obra qualificada.
A Noruega despertou para mudanças estratégicas. O chanceler Espen Barth Eide afirmou que o mundo atual exige reconsiderar a adesão à UE, diante de tarifas, energia e guerras comerciais. O país, que hoje participa do mercado único sem voz nas decisões, pode reavaliar sua posição.
A OCDE, em Paris, mantém o foco no cenário econômico global. O Economic Outlook aponta desaceleração global, com queda de 3,4% em 2025 para 2,8% em 2026. O Brasil deve crescer cerca de 1,6% neste ano, sob pressão de juros e inflação.
No seu entorno, o encontro entre o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e o ministro brasileiro Mauro Vieira na OCDE ocorreu em meio a novas tarifas dos EUA sobre o Brasil e outros países. O diálogo permanece aberto, com necessidade de intensificação das negociações dentro de 30 dias.
Entre as pautas em movimento, destaca-se a cúpula UE-Bálcãs Ocidentais em Montenegro, com ênfase em expansão e adesão. A semana também reserva evoluções nas negociações Brasil-EUA sobre tarifas, além de atenções à situação na Ucrânia e às negociações do Oriente Médio.
Frase da semana
Stefano Scarpetta, economista-chefe da OCDE, reforça que a crise evidencia a urgência de desvincular economias da dependência de importações de combustíveis fósseis, em Paris, 3 de junho.
No radar
Entre 5 de junho e os eventos da semana, a UE acompanha negociações com os Bálcãs Ocidentais, novas tarifas dos EUA, desenvolvimento de IA na Europa e desdobramentos da crise no Oriente Médio. O foco permanece na transição tecnológica e na resiliência econômica global.
Fora da pauta
A literatura de Dostoiévski, Os Demônios, é citada para entender referências de fanatismo e violência política, conectando temas históricos a debates contemporâneos sobre poder e manipulação.
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