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Palestinos forçados a demolir casas para parque temático bíblico em Israel

Sob ordens judiciais, famílias palestinas em Jerusalém Oriental enfrentam demolições para abrir espaço a parque temático bíblico, com taxas abusivas como alternativa

Crianças ajudam a demolir imóvel em área de Jerusalém Oriental destinada a virar parque temático bíblico em Israel
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  • Moradores palestinos de al-Bustan, em Jerusalém Oriental, são obrigados a demolir casas por ordens judiciais, com a opção de pagar altas taxas à prefeitura ou demolir por conta própria.
  • Em junho, Qutaibah Odeh viu a demolição da casa do irmão e recebeu a cobrança; em julho ele pode ter a própria casa derrubada, a menos que aceite as taxas.
  • A prefeitura pretende transformar a área em um parque temático bíblico, alegando falta de autorização e necessidade de áreas verdes e de lazer.
  • Especialista afirma que obter autorizações de construção é difícil para palestinos e que o movimento faz parte de um objetivo de reduzir o número de palestinos em Jerusalém Oriental.
  • Casos de demolição aumentaram nos últimos meses, especialmente desde o início da guerra com o Hamas em outubro de dois mil e vinte e três, com impactos legais, econômicos e simbólicos para a comunidade.

Em Jerusalém Oriental, famílias palestinas recebem ordens judiciais para demolir suas casas ou pagar taxas elevadas ao Estado para que os imóveis sejam derrubados pela prefeitura. O objetivo alegado é abrir espaço para um parque temático bíblico na região de al-Bustan, perto da Cidade Antiga.

O caso de Qutaibah Odeh, 32 anos, ilustra o cenário: após a demolição da casa do irmão em junho, a família recebeu uma cobrança equivalente a cerca de 80 mil reais pelos custos com tratores e funcionários. Em julho, o pai de família terá de decidir entre pagar a taxa ou demolir ele mesmo a construção.

Ao longo dos últimos meses, mais famílias passaram pela mesma dificuldade. A escalada de demolições ocorreu desde o início do conflito com o Hamas, em outubro de 2023, intensificando-se nos últimos dois anos. Odeh lidera uma associação de moradores que contesta as demolições.

O governo de Israel alega que as residências foram erguidas sem autorização administrativa e sustenta que o parque temático atenderia à carência de áreas verdes e de lazer em al-Bustan. A prefeitura afirma que a regularização de construções é uma via, mas o trâmite para obter autorizações para palestinos é descrito como excessivamente burocrático.

Especialistas apontam que a política de controle urbano busca reduzir a população palestina em Jerusalém Oriental. O arquiteto Haim Yacobi explica que a burocracia dificulta a obtenção de licenças para moradias palestinas e que, segundo análises, o objetivo é modificar o perfil demográfico da área.

Segundo o professor, o tema envolve disputas históricas sobre a soberania de Jerusalém, com a cidade reivindicada por israelenses e palestinos como capital. O estudo aponta para o uso de arqueologia como argumento de políticas de desapropriação, com planos para o parque apoiados em narrativas que vinculam o local a tesouros históricos.

Além dos aspectos legais, as demolições também são apresentadas como estratégias de caráter simbólico, gerando insegurança entre moradores palestinos e reforçando a percepção de poder. Em meio a isso, Odeh afirma que não pretende desistir e que, caso a casa seja derrubada, não cederá espaço para que demolam sem resistência.

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