- O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organização das Nações Unidas alerta que, se os preços do petróleo ficarem em torno de US$ 100 por barril, até 45 milhões de pessoas podem entrar em insegurança alimentar até junho.
- O conflito no Oriente Médio, intensificado por ataques entre EUA e Israel contra o Irã, interrompeu rotas de navegação, incluindo o estreito de Ormuz, afetando fluxos globais de energia e cadeias de suprimentos.
- Somália e Afeganistão estão entre os países mais atingidos: 6,5 milhões de somalis enfrentarão fome severa em 2026 e 17,4 milhões de afegãos poderão ser afetados, com piora prevista se as interrupções persistirem.
- Caso as interrupções continuem, mais 2,5 milhões de somalis e 2,3 milhões de afegãos ficam em risco de insegurança alimentar; os países dependem fortemente de importações de energia e alimentos.
- O PMA aponta déficit de financiamento global, esperando atender 1,5 milhão de pessoas a menos em 2026 e 9 milhões a menos se a situação durar mais seis meses; na Somália, alimentos nutritivos para crianças com menos de cinco anos podem acabar em julho devido a esse déficit de recursos.
O conflito no Oriente Médio elevou os preços de combustível e transporte, pressionando o custo de alimentos e reduzindo a capacidade de assistência humanitária. O Programa Mundial de Alimentos da ONU alerta que milhões podem enfrentar insegurança alimentar aguda caso as condições atuais persista.
De acordo com o PMA, ataques conjuntos entre EUA e Israel contra o Irã em fevereiro ajudaram a interromper rotas de navegação, incluindo o estreito de Ormuz. Essa interrupção provocou desvios de navios e restringiu fluxos globais de energia e suprimentos.
A agência divulgou, em março, a projeção de que até 45 milhões de pessoas poderiam enfrentar insegurança alimentar se o petróleo permanecer em torno de 100 dólares por barril até junho. Os preços de referência do petróleo têm se mantido acima desse patamar desde março.
Impactos por país e projeções
Famílias no Afeganistão, Somália e Sri Lanka aparecem entre as mais impactadas, com pressões adicionais por combustível mais caro, elevação de preços de alimentos, perda de renda e interrupção do comércio.
Na Somália, estima-se que 6,5 milhões de pessoas enfrentem fome severa em 2026, correspondente a cerca de um terço da população. No Afeganistão, o total pode chegar a 17,4 milhões.
Caso as interrupções persista, mais 2,5 milhões de somalis e 2,3 milhões de afegãos correm risco de cair na insegurança alimentar. Ambos dependem fortemente de importações de energia e alimentos.
Financiamento em déficit
O PMA aponta déficit de financiamento como vetor principal da crise. A organização estima atender 1,5 milhão de pessoas a menos globalmente em 2026, com redução adicional de 9 milhões se a crise durar mais seis meses.
Na Somália, o programa enfrenta déficit de financiamento de 89% para suprimentos de alimentos nutritivos destinados a crianças com menos de 5 anos com desnutrição moderada, com conclusão prevista para julho.
Segundo Jean-Martin Bauer, chefe do Serviço de Análise de Segurança Alimentar do PMA, a disponibilidade de alimentos para distribuição está seriamente comprometida, o que afeta especialmente crianças vulneráveis.
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