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Juiz pressiona orquestra de Melbourne e pianista a resolver caso sobre Gaza sem ele

Juiz incentiva MSO e pianista Gillham a chegar a acordo sobre comentários sobre Gaza, para evitar julgamento prolongado e permitir resolução entre as partes

Jayson Gillham, performing in 2013, says he was discriminated against by the Melbourne Symphony Orchestra
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  • O juiz Graeme Hill pediu que a Orquestra Sinfônica de Melbourne e o pianista Jayson Gillham resolvam a disputa sobre os comentários dele sobre Gaza sem sentença dele.
  • Gillham processa a MSO por discriminação no local de trabalho após a MSO cancelar sua próxima apresentação por causa de uma fala feita durante o concerto de 2024.
  • O tribunal está em recesso após três semanas de julgamento, com o juiz sugerindo que as partes cheguem a um acordo negociado em vez de uma decisão.
  • O caso envolve uma breve introdução lida por Gillham em 11 de agosto de 2024, na qual ele mencionou mortes de jornalistas em Gaza desde outubro de 2023.
  • A controvérsia ocorreu após o Comitê para a Proteção de Jornalistas noticiar 206 jornalistas mortos em Gaza desde outubro de 2023; a MSO admite ter cometido um “erro” ao cancelar o show e busca remarcar, enquanto Gillham defende seu direito de expressão no local de trabalho.

A Melbourne Symphony Orchestra (MSO) e o pianista Jayson Gillham, britânico-australiano, estão em processo judicial por discriminação no local de trabalho após o cancelamento de uma apresentação. O litígio envolve declarações feitas por Gillham durante um concerto em Melbourne, em agosto de 2024, sobre Gaza. O juiz informa que pretende incentivar as partes a chegar a um acordo antes de proferir uma sentença.

Gillham afirma ter exercido um direito de expressão protegido, enquanto a MSO sustenta que a exposição de posicionamentos pessoais no palco não é aceitável. O caso começou a tomar corpo após a retirada do espetáculo de Gillham, prevista para 15 de agosto de 2024, diante de denúncias e de uma onda de queixas. O episódio provocou centenas de manifestações de público.

O tribunal ouviu quase duas dúzias de testemunhas, incluindo Gillham e ex-dirigentes da MSO. Na sessão inicial, o pianista descreveu as críticas recebidas após o cancelamento e relatou ter sido convidado a retornar ao segundo show apenas se não comentasse no palco. A avaliação do juiz ocorreu ao final de uma fase de três semanas de instrução.

O pano de fundo envolve declarações atribuídas a Gillham durante um concerto em 11 de agosto de 2024. Ele mencionou que mais de 100 jornalistas palestinos teriam sido mortos por Israel desde o início da ofensiva em Gaza, em outubro de 2023. O comentário foi feito diante de cerca de 150 pessoas presentes.

A controvérsia gerou três queixas formais e levou à suspensão do próximo show, com a MSO a anunciar a tentativa de reagendar a apresentação. A instituição reconheceu posteriormente ter cometido um erro ao cancelar o espetáculo e admitiu buscar uma solução sem prejudicar o artista. As partes apresentaram recursos à época para remediação.

O caso centra-se na afirmação de que a expressão política de um empregado, em um contexto de trabalho, é protegida pelas leis estaduais, segundo a defesa de Gillham. Os advogados da MSO argumentam que o cancelamento decorreu de uma situação de pressões intensas e de controvérsia global.

Contexto jurídico e desdobramentos

O juiz Graeme Hill suspendeu o julgamento para permitir que as partes fechem um acordo negociado, em vez de uma sentença. Ele indicou que já houve duas tentativas de acordo sem sucesso e que, embora costumasse julgar rapidamente, este não é um caso trivial. O magistrado sinalizou que pode levar tempo para deliberar, para favorecer uma solução amigável.

Autores da MSO afirmam que o uso do palco para expressões pessoais não condiz com a função institucional da orquestra. A defesa de Gillham sustenta que a liberdade de expressão é um direito protegido no estado de Victoria, incluindo posicionamentos políticos no ambiente de trabalho.

O processo continua com a avaliação de evidências apresentadas por testemunhas e documentos. A modulação entre preservação da integridade institucional da MSO e direito individual de expressão permanece central para o desfecho. O repertório restante da temporada ficou sob revisão durante o litígio.

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